Região

Rota de casas tradicionais dinamiza freguesias do Fundão

Escrito por Sofia Craveiro

O Centro UNESCO – Casas e Lugares do Sentir é uma estrutura criada para dinamizar as várias freguesias do Fundão com casas museológicas temáticas que valorizam os saberes e tradições locais.

Em 2017, a Câmara do Fundão e a UNESCO celebraram um protocolo que deu origem ao Centro UNESCO – Casas e Lugares do Sentir, uma rede de casas temáticas em diferentes freguesias do município que honram os saberes e tradições locais e formam um roteiro de interesse turístico.
De acordo com a autarquia, estas casas procuram dar a conhecer uma determinada temática e também integrar os territórios envolventes através de «percursos pelas áreas circundantes, integrados no planeamento de visitas», adianta a vereadora Alcina Cerdeira, responsável pelos pelouros da Cultura e Património da autarquia do Fundão. A funcionar estão já a Casa das Tecedeiras, em Janeiro de Cima; a Casa do Barro, no Telhado; a Casa do Bombo, em Lavacolhos; a Casa Redonda, a Casa do Mel e Casa do Cogumelo, todas localizadas em Bogas de Cima. Integram também a rede a Casa Grande da Barroca, na freguesia homónima, a Casa do Pastor, em Salgueiro, e a Casa dos Ofícios, no Souto da Casa. Além destes espaços, que já existiam à época de candidatura, o plano tinha em fase de desenvolvimento a Casa da Poesia Eugénio de Andrade, já inaugurada na Póvoa da Atalaia, terra natal do poeta, a Casa do Brincar (Aldeia Nova do Cabo), a Casa da Imprensa António Paulouro (Fundão), a Casa da Romaria (Castelejo), a Casa da Cereja (Alcongosta) – em fase de conclusão – e a Casa das Nações, projetada como prolongamento da Casa das Memórias António Guterres, também localizada nas Donas.
O projeto começou com a Associação Pinus Verde, organização de desenvolvimento rural, tendo como ponto de partida a sua rede Casas da Floresta que tinha como objetivo estabelecer uma “rota das tradições” pelas freguesias do Fundão, valorizando elementos específicos. Essa rede era constituída pela Casa do Bombo, Casa Grande da Barroca, Casa do Mel, Casa do Cogumelo e Casa das Tecedeiras. A iniciativa permitiu requalificar espaços inutilizados nas freguesias, como antigas escolas primárias, em centros visitados maioritariamente por grupos escolares e universidades séniores. A rede foi crescendo e acabou por dar origem a uma candidatura a Centro UNESCO em 2017. A aprovação da candidatura culminou no estabelecimento das “Casas e Lugares do Sentir”, um conjunto de casas semelhantes a museus interativos, onde é possível aprender e experimentar antigos ofícios e tradições.
Atualmente, «estas casas são transversais na estratégia de dinamização económica e urbana», sublinha Alcina Cerdeira, acrescentando que são «muito importantes» para coesão territorial por «fomentarem o sentimento de pertença» das populações e comunidades locais. A O INTERIOR a vereadora revelou que, além de estarem a ser projetadas outras casas, encontra-se em fase de conclusão a Casa da Cereja, em Alcongosta, que será «“a cereja no topo do bolo” desta rede». De resto, em março último a autarquia estabeleceu mais um protocolo para dinamizar este centro da UNESCO. A cooperação com a Universidade da Beira Interior permite «benefícios mútuos» como a utilização da biblioteca da UBI no acesso a dados relevantes e a abertura das “Casas e Lugares do Sentir” a estágios da UBI nos espaços museológicos. Estas casas temáticas estão abertas a visitas durante todo o ano, mas são também integradas em festividades sazonais, de forma a dinamizar os pontos de interesse da região e a valorizar os eventos culturais, refere Alcina Cerdeira.

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Sofia Craveiro

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