Troço entre Mouriscas e Ródão esteve cortado devido aos danos causados pelas intempéries do início do ano
A Infraestruturas de Portugal reabriu, no passado domingo, a Linha da Beira Baixa, entre as estações de Mouriscas-A e Ródão. Com a reabertura integral da via, a CP-Comboios de Portugal e os operadores de transporte de mercadorias restabeleceram a circulação ferroviária neste troço, que se encontrava interrompido na sequência dos danos provocados pelos fenómenos meteorológicos extremos associados à tempestade “Kristin”. Foi assim reposta a operação dos serviços Regionais e Intercidades em toda a extensão da Linha da Beira Baixa, bem como a redundância, na Guarda, com a Linha da Beira Alta, para o transporte ferroviário internacional de mercadorias.
A IP refere que a recuperação da infraestrutura «representou um investimento global de 3,4 milhões de euros» e que a intervenção foi necessária «na sequência de dois deslizamentos de terras, entre os quilómetros 39,150 e 39,270 que provocaram instabilidade na plataforma ferroviária e obrigaram à suspensão da circulação».
A intervenção decorreu em condições «particularmente exigentes, devido ao acesso limitado ao local, à instabilidade da plataforma ferroviária, ao reduzido espaço disponível para a movimentação de equipamentos e às dificuldades no transporte de materiais, agravadas pelas elevadas temperaturas registadas durante a execução dos trabalhos», realça.
A IP informou que os trabalhos «incluíram a estabilização dos taludes, com a aplicação de cerca de 5.500 metros cúbicos de enrocamento, a construção de duas estruturas em betão armado fundadas em microestacas para reforço da plataforma ferroviária e de uma viga de coroamento intermédia, entre as duas estruturas, bem como a reabilitação e melhoria do sistema de drenagem, incluindo passagens hidráulicas». Foi ainda realizada «a reposição integral da via-férrea, das telecomunicações, dos sistemas de terras e das restantes infraestruturas ferroviárias afetadas».
Para Paulo Carmona, presidente da Infraestruturas de Portugal, esta reabertura representa «muito mais do que a conclusão de uma obra», representa o regresso de «uma ligação ferroviária essencial para as populações, depois da interrupção provocada pelas intempéries».
O responsável salienta que, desde o primeiro momento, «a prioridade da Infraestruturas de Portugal foi recuperar a infraestrutura com segurança e fazê-lo o mais rapidamente possível», realçando a intervenção exigente, «realizada em condições particularmente complexas, mas que permitiu não só repor a circulação como reforçar a infraestrutura e melhorar as suas condições de segurança e resiliência».
Pedro Moreira, presidente da CP – Comboios de Portugal, salienta que «a reposição da circulação na Linha da Beira Baixa permite voltar a assegurar um serviço ferroviário essencial para a mobilidade das populações e para a ligação» entre territórios. «Esta reabertura significa o regresso de um serviço que faz parte do quotidiano de muitas pessoas, pelo que é com satisfação que a CP volta a assegurar a oferta comercial nesta linha, reforçando o compromisso desta empresa em proporcionar deslocações acessíveis e sustentáveis», afirma.
A Linha da Beira Baixa atravessa 13 concelhos e quatro distritos e serve cerca de dois milhões de passageiros por ano, desempenhando um papel relevante na mobilidade diária e no acesso ao território.



