Opinião de Nuno Simões de Melo: A Bandeira Nacional e o esquerdismo cultural

No dia 13 de março, o partido Chega e o CDS/PP levaram a debate e votação na Assembleia da República dois projetos de lei visando regular o uso da Bandeira Nacional nos edifícios públicos, da Administração do Estado, etc. O projeto proposto pelo CDS/PP, a requerimento deste partido, desceu à comissão parlamentar respetiva (1ª Comissão) sem votação e o projeto de lei apresentado pelo Chega foi rejeitado, recebendo somente os votos favoráveis do próprio proponente e do CDS/PP, todos os restantes partidos votaram contra.
Este episódio é revelador. Alguma “direita” continua refém da vontade da esquerda.
É óbvio que do Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda, Livre e, infelizmente, mesmo do atual Partido Socialista, se esperaria o voto contrário. São eles que dominam a linguagem e a cultura atual, difundida a tempo inteiro pela Academia e pelos órgãos de comunicação social tradicionais. No entanto, ver o PPD/PSD e a IL votar contra o projeto de lei demonstra que continuam com medo de afrontar o raptor, numa demonstração aplicada da “síndrome de Estocolmo” (o refém apaixona-se por quem o mantém cativo) ou, pior, que cederam à cultura “woke” defendida e divulgada pela esquerda neomarxista. Qualquer uma das hipóteses deixará um português não socialista com dúvidas sobre o caminho que esses partidos pretendem seguir, e com a certeza de não poderem contar com eles.
Para esclarecer, os dois projetos de lei discutidos, visavam assegurar que nos edifícios referidos haveria lugar a ser hasteada em primazia a Bandeira Nacional e, de acordo com a lei já existente, qual a sua posição em relação a outras bandeiras institucionais, como as das regiões autónomas, das autarquias (concelhos e freguesias) ou da União Europeia. Retirava-se a possibilidade de serem hasteadas bandeiras divisionistas, de viés ideológico ou representativas de partidos políticos, por exemplo.
A esquerda, mais assanhada, viu nisto um ataque à ideologia “woke”, mais concretamente à difusão de ideias de divisão da sociedade em classes. Não mais a luta de classes entre o proletariado e o capital, mas entre movimentos identitários e a restante comunidade. A luta de sempre, historicamente errada, e que tem levado os países que a aplicam a que, em vez de se constituírem no “paraíso na Terra”, se revelem verdadeiros infernos!!!
O PPD/PSD e a IL, de forma insípida, direi mesmo sonsa, deixaram-se embalar neste canto de sereia. Com um discurso de “mais tarde veremos”, ou de “poder ser melhorado em sede de discussão na generalidade”, deixaram-se ficar na posição a que já nos habituaram, “em cima do muro”, mas permitindo, repito, com o seu voto contra, que a esquerda continuasse vitoriosa na difusão da sua ideologia.
Este episódio faz-nos concluir que o PPD/PSD e a IL ainda não se aperceberam que a luta entre a esquerda e a direita é cultural e que é à direita que se defende a liberdade. Se a IL já há muito se deixou seduzir pelo “wokismo”, e que uma ala do PPD/PSD também aí se encontra, no dia 13 ficámos a saber que essa ala é maioritária e que o PPD/PSD prefere continuar de braço dado com uma esquerda que não ama Portugal, ou que, pelo menos, assim parece.
Ficamos com a certeza de que só o Chega e, honra lhe seja feita, o CDS/PP, se encontram do lado certo da barricada, lutando pela Liberdade e pela união de todos os portugueses, independentemente das ideologias, sob a sombra da Bandeira Nacional.
Nesta luta, não temos dúvidas sobre o lugar onde nos encontramos, à direita, e sempre por Portugal e pelos portugueses!

* Deputado do Chega na Assembleia da República eleito pelo círculo da Guarda

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Nuno Simões de Melo

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