Opinião de Diana Santos: Recomendações para tempos perfunctórios

Escrito por Diana Santos

Da política à medicina, da educação à economia, da indústria às artes, do espaço público ao privado, o que nos sobra da elevação de outros tempos é muito pouco. O outro deixou de ser o camarada, o companheiro, o amigo, o semelhante, passando a ser o meio, o veículo, o alvo.
Uma geração que passou fome e que, através do trabalho tantas vezes escravizado, conseguiu com que os seus filhos tivessem uma vida relativamente melhor. Filhos esses que – abençoado elevador social – proporcionaram aos seus descendentes o acesso pleno à educação e à saúde. Nós, geração de filhos privilegiados, perdemos, num ápice, a cesta de valores que as gerações que nos antecederam prepararam com tanta luta e carinho.
Perdemos a noção de comunidade como quem perde um nome antigo, sem dar conta, trocando-o pelo vazio de não sermos chamados por ninguém. Trocámos a escuta pelo ruído constante e omnipresente, o cuidado pela pressa e pela falta de tempo, o debate pela aritmética fria da vantagem imediata.
Vivemos tempos perfunctórios, apressados, superficiais, quase automáticos, em que a política se tornou uma sucessão de gestos técnicos e frases vãs, descoladas da carne viva do país real.
É neste contexto que as eleições presidenciais se impõem auto reflexivamente, como um espelho. O que vemos quando nos olhamos? Um país fragmentado entre o litoral sobrelotado e o interior esquecido; entre discursos polidos e vidas ásperas; entre estatísticas otimistas e mesas onde ainda falta pão. O chamado Portugal profundo não é um mero chavão, é uma real geografia humana feita de aldeias que resistem, de cidades médias cansadas, de trabalhadores invisíveis, de idosos sós, de jovens que partem porque ficar já não é futuro.
Fala-se muito de estratégia, de posicionamento, de previsões, mas fala-se pouco de empatia. Empatia como método político é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender antes de decidir, de ouvir antes de falar. Entre os candidatos presidenciais que se apresentam, há apenas um que faz da empatia, mais do que o seu centro discursivo, a sua biografia: António José Seguro.
Seguro, homem do interior, conhece o país por rostos e por histórias. A sua integridade é coerência construída no tempo, feita de proximidade e respeito, de silêncio quando é preciso silêncio, de palavra quando a palavra deve ser clara. Restitui, assim, a esperança naquilo que já é tão raro, na confiança no processo democrático, na dignidade das pessoas, na possibilidade de reconstruir pontes onde tantos só querem construir muros.
Num tempo em que a política parece oscilar entre o cinismo e o espetáculo mediático, a sua presença devolve elevação ao cargo e humanidade à função.
Ser Presidente da República não é governar, é cuidar. É garantir que a Constituição não seja apenas textual, mas que se cumpra na prática viva. É lembrar que a democracia não se esgota no voto, que se renova no respeito quotidiano pelos direitos, pela justiça social, pela igualdade de oportunidades.
Talvez seja isso que nos falte, alguém que trate o país como uma casa comum a preservar. Alguém que saiba que a esperança não se decreta; a esperança constrói-se – com paciência, com ética, com memória.
António José Seguro surge, assim, como o candidato da reconstrução: dos valores democráticos, do humanismo político, da confiança entre cidadãos.
Recomenda-se, pois, nestes tempos perfunctórios, que abracemos a lentidão do pensamento, a profundidade da escolha e a coragem da empatia. Que escolhamos, mais do que um nome no boletim, uma ideia de país. Porque, no fim, a pergunta essencial não é quem vence as eleições, mas quem nos ajuda a voltar a ser comunidade.

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Diana Santos

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