As fontes de juventude

Escrito por Sofia Pereira

Em 2024, os EUA registaram pela primeira vez mais de 100 mil pessoas com cem ou mais anos. Na União Europeia, em 2024, a taxa de fecundidade atingiu um mínimo de 1,34 filhos por mulher. O Ocidente está a envelhecer e o fenómeno que tem permitido retardar o processo está em vias de desaparecer.

A imigração de pessoas em idade ativa provenientes de países do Sul Global tem garantido um influxo constante de mão de obra capaz de fomentar o crescimento económico e sustentar os sistemas de segurança social. Durante as próximas décadas, tudo indica que este modelo continuará a ditar o ritmo da economia política global, disfarçando temporariamente as fraturas estruturais de uma pirâmide etária cada vez mais invertida.

Contudo, este expediente provisório traz consigo uma ilusão perigosa. A suposição tácita de que os países em vias de desenvolvimento funcionarão como fontes inesgotáveis de capital humano está prestes a desmoronar-se. Os dados sociológicos são inequívocos: ao integrarem-se nas sociedades de acolhimento, as comunidades migrantes tendem a convergir rapidamente para os padrões de fecundidade locais.

Paralelamente, os países emissores enfrentam as suas próprias transições demográficas aceleradas, com curvas de fecundidade em queda vertiginosa, impulsionadas sobretudo pela urbanização e pela emancipação das mulheres. Por outras palavras, em apenas algumas décadas, o que sucede hoje no Ocidente será a realidade global.

Quer isto dizer que chegará o momento em que não haverá população ativa suficiente para suster as economias e os sistemas de segurança social devido à escassez de novos nascimentos. Dentro de meio século, estaremos a enfrentar uma crise sem precedentes na história da civilização moderna: a escassez generalizada de força de trabalho.

Se o regresso às famílias numerosas é improvável e se não convém depositar todas as esperanças na inteligência artificial e na robótica, as demais soluções disponíveis parecem ficar aquém do necessário. O alargamento da idade da reforma constitui uma opção evidente, mas seria um rastilho para a contestação social. Outra via consiste em incentivar a entrada antecipada dos estudantes do ensino superior no mercado de trabalho, generalizando a figura do trabalhador-estudante. Por fim, temos o eterno desiderato de aumentar a produtividade, o que, pelo menos em alguns setores, poderia compensar a perda de população ativa.

*Pedro Fonseca

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Sofia Pereira

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