O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e de incapacidade no adulto, em Portugal; dados fornecidos pelo INEM revelam que, em 2024, foram identificados, em média, 22 casos diários suspeitos de AVC.
O que é um AVC? É uma doença cerebrovascular que afeta o normal fornecimento de sangue para uma parte do cérebro, que pode ser devido ao entupimento/rotura de vasos sanguíneos (artérias cerebrais) que são responsáveis pelo transporte de oxigénio e nutrientes essenciais para o cérebro.
Os AVC’s podem ser divididos em isquémicos quando há obstrução de fluxo sanguíneo nas artérias através de um coágulo, que interrompe/diminui o fluxo sanguíneo e consequentemente leva a lesão ou morte de células cerebrais; ou em hemorrágicos quando há rotura de uma artéria cerebral que, além de causar uma hemorragia no cérebro, também provoca a interrupção de fornecimento de sangue.
Embora não seja um AVC, o Acidente Isquémico Transitório (AIT), muitas vezes designado como um “mini”/“princípio” de AVC, ocorre quando a interrupção de fornecimento de sangue ao cérebro é de forma transitória, sendo que os sintomas aparecem temporariamente, durando minutos a horas, o fluxo sanguíneo acaba por ser reposto e os sintomas desaparecem.
Os fatores de risco podem ser não modificáveis, como a idade (aumenta), o género (homens), a hereditariedade e a etnia (maior risco cardiovascular); ou modificáveis, relacionados com estilo de vida, como hipertensão arterial, diabetes “mellitus”, tabagismo, abuso de álcool, colesterol alto, excesso de peso, sedentarismo, stress e batimentos cardíacos irregulares. A alteração do estilo de vida, a prevenção e o controlo das patologias mencionadas levam a uma menor probabilidade de sofrer um AVC.
Os primeiros sinais de AVC são súbitos e variam de pessoa para pessoa. Mesmo que os sintomas ocorram apenas durante alguns minutos, não devem ser desvalorizados e é imperativa a avaliação médica urgente. Os principais sintomas são (3F’s):
– Face: desvio de um dos lados da face, boca e/ou olho “caído”;
– Fala: discurso incompreensível, fala arrastada ou dificuldade em encontrar palavras.
– Força: fraqueza; dormência ou paralisia da face, do braço e/ou da perna, predominantemente num dos lados do corpo.
Outros sintomas que podem surgir são dores de cabeça fortes, perda de visão unilateral ou do equilíbrio. Se identificar estes sintomas, não espere que os mesmos desapareçam! O AVC é uma emergência médica e deverá ligar imediatamente para o 112.
Não descurando a identificação, atuação rápida e de tratamento atempado, poderão permanecer sequelas temporárias ou permanentes, dependendo do tipo de lesão, da extensão e da área do cérebro afetada. Sequelas que podem ser a nível motor, sensorial, de comunicação, cognitivo ou psicológico, logo, a reabilitação e cuidados personalizados são indispensáveis após AVC.
Para diminuir o risco de AVC, controle a sua tensão arterial, não fume, cumpra a sua medicação habitual, coma pouco sal/gorduras e faça exercício físico – se tiver dúvidas sobre como fazê-lo, procure o seu médico de família.
E não se esqueça de “tempo é cérebro”, se suspeitar de um AVC, ligue para o 112.
* Médica Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar na USF “A Ribeirinha”, na Guarda
NR: A rubrica “ABC Médico” é da responsabilidade do grupo de Internato Médico da ULS da Guarda e pretende aumentar a literacia em saúde na área do distrito da Guarda. O objetivo desta coluna mensal é capacitar a comunidade a fazer parte integrante do seu processo de saúde/doença, motivando-a para comportamentos de vida saudáveis e decisões adequadas. Para tal, são escolhidos temas pertinentes que serão apresentados por ordem alfabética.


