A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) alerta que o novo regulamento tarifário do táxi da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) vai colocar «em causa a sobrevivência do táxi nos territórios de baixa densidade» e pede alterações.
O regulamento que define as regras para os novos preços do serviço público de transporte de passageiros em táxi foi publicado recentemente no “Diário da República” e entrou em vigor na passada sexta-feira, tendo os taxímetros possibilidade de serem adaptados até meados de janeiro de 2027. Este regulamento foi publicado inicialmente a 3 de junho, estabelecendo uma bandeirada mais baixa, mas tarifas variáveis segundo o tempo e a distância, que podem subir nas épocas festivas, mas tinha sido suspenso por 60 dias para que as associações enviassem «propostas de alteração/ajustamento».
A FPT já foi recebida pelo gabinete da secretária de Estado da Mobilidade, a quem entregou «uma proposta concreta para corrigir o regulamento».
A federação destacou que os taxímetros têm de ser reprogramados e o regulamento não reúne as condições técnicas para que as novas tarifas possam ser elaboradas. «A generalidade dos táxis continuará por isso a cobrar o tarifário atual, incluindo o suplemento de bagagem», realçou a organização. A FPT sublinhou também que «o preço por quilómetro passa a ser único em todo o país, o que elimina de uma só vez a tarifa com retorno em vazio». Assim, as viaturas que trabalham em tarifa 3, a 1,06 euros por quilómetro, passam a cobrar 0,58 €/km, menos 45 por cento.
Ainda segundo simulações das associações apresentadas pela FPT, a variação do valor médio por serviço é de mais 9,3 por cento nos concelhos que trabalham em tarifas 1 e 3 e de menos 15,9 por cento nos municípios que trabalham apenas em tarifa 3. «Nas aldeias e vilas do interior, o táxi leva idosos às consultas, doentes aos tratamentos e crianças à escola, onde não há autocarro nem comboio. Um regulamento que retira cerca de 45% do valor do quilómetro a esses operadores, enquanto encarece o táxi nas cidades, esquece o interior porque fica com menos transporte e as cidades com transporte mais caro», sublinhou a federação. «Se nada for corrigido, muitos operadores do interior deixarão de ter condições para continuar, e as populações que mais dependem do táxi ficarão sem alternativa», alertou ainda.



