Sociedade

Radar da Saúde em Portugal: o retrato do paciente digital português

Captura De Ecrã 2025 07 04 151039
Escrito por ointerior

A medicina digital já não é uma promessa — é uma realidade consolidada em Portugal. Com o crescimento das plataformas online de marcação de consultas e o avanço da telemedicina, o comportamento dos portugueses no acesso à saúde está a transformar-se. A Doctoralia Portugal, uma das principais plataformas digitais do setor, analisou dados do seu ecossistema para traçar o perfil do novo paciente digital. O resultado revela uma população cada vez mais conectada, informada e exigente.

A procura começa no telemóvel — e nas mulheres

Segundo o relatório “Insights Doctoralia 2023”, mais de 80% dos acessos à plataforma são feitos por telemóvel, sinalizando uma tendência clara: o primeiro contato com um profissional de saúde, hoje, acontece na palma da mão. O público feminino continua a liderar esta interação: as mulheres representam 65% dos utilizadores ativos na plataforma.

Além disso, a faixa etária mais ativa situa-se entre os 25 e os 44 anos, reforçando o protagonismo de uma geração que alia tecnologia a cuidados preventivos de saúde.

Especialidades mais procuradas

Ginecologia, psicologia e nutrição são as áreas mais buscadas. A procura por psicólogos, em particular, cresceu de forma significativa, refletindo um maior interesse pelo bem-estar mental, tema que ganhou relevo desde a pandemia.

A dermatologia e a medicina geral também registam um volume elevado de agendamentos, muitas vezes impulsionados por sintomas que os utilizadores pesquisam previamente na internet. Este comportamento ilustra uma mudança no papel do paciente, que passa a atuar também como agente ativo na identificação das suas necessidades. A pesquisa online por serviços — sejam médicos, terapêuticos ou até de bem-estar pessoal — tornou-se parte integrante do percurso de cuidados. Esse padrão de autonomia e comparação digital pode ser observado também noutros setores não clínicos, onde a procura por experiências personalizadas e avaliadas por outros utilizadores ganhou força. Plataformas como o Skokka Portugal refletem essa mesma lógica de navegação: pessoas que procuram serviços específicos de forma direta, com base em critérios como localização, descrição e reputação — ainda que em contextos distintos, partilham o mesmo impulso por decisões informadas e adaptadas ao perfil individual.

O que valoriza o paciente digital?

Ao escolher um profissional, os portugueses olham para a proximidade geográfica, a disponibilidade de horários, e — cada vez mais — para as opiniões de outros pacientes. As avaliações online tornaram-se fator decisivo na escolha, superando em muitos casos a recomendação direta de familiares.

Na consulta, os aspetos mais valorizados são a capacidade de escuta, o tempo dedicado ao doente, e a clareza nas explicações — características que se mantêm relevantes tanto na consulta presencial como na videoconsulta.

Passado: de Norte a Sul, o crescimento da saúde digital

Há cerca de uma década, Portugal assistia à introdução tímida da marcação online e dos registos clínicos eletrónicos. Hoje, plataformas como Doctoralia, Knok ou TuoTempo são usadas por milhares de profissionais em todo o país, desde clínicas em Braga até hospitais em Faro.

O SNS24, canal oficial do Serviço Nacional de Saúde, também ampliou a sua atuação digital com videoconsultas e triagem por chat, consolidando a digitalização do sistema público.

Em paralelo, aumentou a busca por categorias de serviços mais localizados, como acontece com profissionais de terapias alternativas, cuidadores informais ou até acompanhantes em Viseu — bem como em Guarda, Aveiro e outras cidades do interior e norte de Portugal —, o que reforça a preferência dos utilizadores por soluções próximas, discretas e de confiança. Mesmo fora do universo clínico, essa procura por serviços personalizados e geograficamente acessíveis revela um padrão cada vez mais presente na vida digital dos portugueses.

Futuro: inteligência artificial a desenhar o próximo capítulo

Portugal acompanha de perto o movimento global de integração da inteligência artificial na saúde. Iniciativas como o projeto europeu KATY (centrado na oncologia de precisão) e o uso crescente de algoritmos para triagem de sintomas mostram que o país está aberto à inovação responsável. Espera-se que até 2026, sistemas preditivos baseados em IA estejam integrados nos principais hospitais privados portugueses.

Um dado: quase 30% dos portugueses já utilizaram videoconsulta

Segundo o INE e a Ordem dos Médicos, cerca de 1 em cada 3 portugueses já experimentou uma consulta médica remota, um número que tende a crescer, sobretudo entre residentes de zonas suburbanas e ilhas.

Sobre o autor

ointerior

Deixe comentário