Aguardado há mais de uma década, o Porto Seco da Guarda foi inaugurado, na sexta-feira, no terminal ferroviário de mercadorias da cidade. A primeira fase do projeto implicou um investimento de cerca de 4 milhões de euros da APDL (Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo), concessionária da infraestrutura, cofinanciados em 60 por cento pelo programa Centro 2030.
«É uma obra absolutamente estratégica para esta região e que tem um único propósito, o de servir as empresas da Guarda para que fiquem mais eficientes na sua atividade do dia a dia e consigam competir no mercado global de forma mais forte para poderem crescer em volume de carga», realçou João Pedro Neves, presidente da APDL, na cerimónia. O Porto Seco da Guarda será gerido pela empresa turca Yilport, que já opera nos portos de Leixões, Lisboa, Aveiro, Figueira da Foz e em Espanha. Previsto na estratégia Portos 5+ do Governo, para o fomento da atividade portuária nacional, a infraestrutura acolhe algumas funções tradicionalmente concentradas num porto, nomeadamente a aduaneira, e aposta na intermodalidade entre a rodovia e ferrovia, devendo contribuir para «fortalecer o eixo logístico em direção a Vilar Formoso e Espanha, e por sua vez a Europa, bem como a integração no Corredor Atlântico».
«A Guarda passa a funcionar como ponto de concentração e distribuição da carga ligada a Leixões, assumindo uma nova centralidade na logística nacional e reforçando a capacidade de penetração no mercado ibérico», realçou, por sua vez, o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz. No seu discurso, o governante afirmou ainda que «estamos na Guarda, mas em território do Porto de Leixões». A primeira fase do projeto contemplou a construção de um edifício administrativo para serviços aduaneiros e inspeções físicas e a extensão das vias-férreas existentes para receber comboios de mercadorias com 750 metros de comprimento. O Porto Seco da Guarda tem capacidade para movimentar de mais de 45.000 contentores de 20 pés por ano.
«É uma grande inauguração para o futuro da Guarda, para captar mais investimentos e a atenção pública nacional», disse Sérgio Costa, presidente da Câmara. Para o autarca, «o mar chegou hoje [sexta-feira] à Guarda» com a inauguração do Porto Seco, que vai disponibilizar às empresas do interior serviços aduaneiros «para poder fazer importação, exportação, agregação e desagregação de mercadorias, no que será uma vantagem competitiva». O autarca aproveitou ainda a ocasião para pedir a Miguel Pinto Luz que desse luz verde aos projetos das variantes da Sequeira e dos Galegos, já concluídos pela Infraestruturas de Portugal e são considerados decisivos para aliviar o trânsito naquela zona da cidade, onde vai aumentar a circular de pesados de mercadorias.
A ligação da Guarda a Coimbra, através do IC7, foi outro assunto apresentado ao ministro das Infraestruturas, que também levou para Lisboa a sugestão de que uma das futuras grandes áreas de localização empresarial em estudo pelo Governo «só poderá ser na Guarda», afirmou Sérgio Costa. Contudo, o governante ouviu, mas não se comprometeu. Quem respondeu ao edil guardense foi José Ribau Esteves, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), dizendo que à Guarda «não faltam argumentos» para poder receber essa área de localização empresarial. No entanto, a decisão tem que ser «bem fundamentada em estudos e pareceres, o que já estamos a fazer», acrescentou.
Em dezembro de 2021, o Conselho de Ministros do Governo de António Costa reconheceu ao projeto da Guarda o estatuto de primeiro Porto Seco do país. Através do decreto-lei que transferiu a gestão do terminal ferroviário de mercadorias da Guarda para APDL, publicado em março de 2022, dizia-se que o objetivo é transformar a cidade «numa âncora logística fundamental no interior do país», fortalecendo a ligação de carga aos portos do Atlântico e Espanha através da ferrovia.



