A exigência é um modo de se existir. A exigência própria garante a qualidade das tarefas que realizamos. Evitar falhas, prever contratempos, antecipar o que vai correr mal. A luta por conseguir completar um objetivo
sem descuidar os detalhes, sem esquecer que existe a chuva, pode acontecer frio, pode faltar a luz, podem estar de greve os funcionários, é uma tarefa que lembra uma boa jogada de xadrez. Avançamos o peão na multitude de respostas que podem acontecer perto, ou longinquamente no tabuleiro. O gesto pode desencorajar outros, pode incentivar alguns, pode despertar a raiva de terceiros inesperados. A exigência está ligada à previsibilidade.
Antecipar cenários e preparar soluções é uma arte que nem todos possuímos.
Construir um pensamento, elaborando as suas consequências, é uma tarefa do imediato. Na condução, um pisca por fazer pode induzir o engano de outros. Por isso se pede distância, o que muitos não fazem.
Num jogo coletivo, a distração de um provoca a derrota de todos. Há pessoas incapazes desta sofisticação. Para alguns, isto é inato, para outros uma aprendizagem e para muitos uma inoperacionalidade.
Prever o futuro não é adivinhação, é interpretar as jogadas dos outros e as nossas, as alternativas possíveis, as variáveis envolvidas e depois arriscar um caminho. Não é fácil, pode depender da sorte, tem de certeza dependência do conhecimento e está sujeita à observação atenta do que nos rodeia.


