O preço do petróleo Brent tem uma influência direta e imediata nos combustíveis que abastecem o nosso dia a dia em Portugal. Neste artigo, vamos perceber como essa relação funciona, porque é que o Brent é uma referência mundial, e de que forma as variações no seu valor se refletem no bolso dos consumidores portugueses.
O que é o Petróleo Brent e porque é tão importante
O Brent é um tipo de petróleo extraído do Mar do Norte e serve como referência global para o preço do petróleo, especialmente na Europa. Quando se fala em “petróleo Brent”, estamos a referir-nos a uma cotação internacional que serve de base para definir o preço de compra e venda de combustíveis como a gasolina e o gasóleo.
No mercado internacional, há vários tipos de petróleo (como o WTI, nos Estados Unidos), mas o Brent é aquele que mais influencia os preços na Europa, incluindo Portugal. Isso acontece porque é um petróleo leve e de fácil refinação, tornando-se ideal para produzir gasolina e gasóleo, os combustíveis mais utilizados pelos consumidores.
Para quem acompanha o mercado financeiro ou procura oportunidades de investimento, é possível negociar petróleo Brent na Plus500, uma plataforma que permite especular sobre as variações do preço deste ativo sem precisar de o comprar fisicamente. Esta prática, conhecida como trading de CFDs (Contratos por Diferença), permite aos investidores tirar partido tanto da subida como da descida dos preços, desde que entendam os riscos envolvidos.
Como o preço do Brent se traduz nos combustíveis portugueses
Em Portugal, os preços dos combustíveis nas bombas estão fortemente ligados à cotação do Brent, mas não de forma automática. Ou seja, quando o Brent sobe no mercado internacional, o impacto sente-se nas semanas seguintes nos postos de abastecimento.
O motivo é simples: o petróleo precisa de ser comprado, transportado, refinado e distribuído. Entre o momento em que o preço internacional muda e o momento em que o consumidor nota essa variação, há um atraso natural de alguns dias ou semanas.
Além disso, o preço final dos combustíveis inclui outros fatores além da matéria-prima. Cerca de metade do preço que pagamos por litro é composto por impostos (como o ISP e o IVA). Mesmo assim, o valor do Brent continua a ser o principal fator de referência.
Por exemplo, quando o Brent ultrapassa os 90 dólares por barril, é quase certo que a gasolina e o gasóleo subam em Portugal, ainda que o impacto possa variar conforme o câmbio do euro face ao dólar.
A influência do câmbio e dos custos de refinação
Outro elemento que pesa bastante é a taxa de câmbio entre o euro e o dólar americano. O petróleo Brent é cotado em dólares, e por isso, quando o euro se desvaloriza, Portugal precisa de gastar mais euros para comprar a mesma quantidade de petróleo.
Assim, mesmo que o preço do Brent se mantenha estável em dólares, os portugueses podem ver o preço dos combustíveis aumentar se o euro perder valor. Este efeito cambial é muitas vezes subestimado, mas é essencial para entender a volatilidade dos preços.
Os custos de refinação e transporte também contam. As refinarias, como as da Galp em Sines e Matosinhos (esta última atualmente encerrada), transformam o petróleo bruto em produtos como gasolina, gasóleo e querosene. Qualquer alteração nos custos de operação, nas margens das refinarias ou nas cadeias logísticas pode influenciar o preço final ao consumidor.
Impostos e margens de lucro: o peso extra no preço final
Os impostos representam uma parte significativa do preço dos combustíveis em Portugal. O Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) e o IVA juntos podem representar mais de 50% do valor pago por litro. Isto significa que mesmo que o preço do Brent desça, o impacto no preço ao consumidor pode ser atenuado devido ao peso fiscal.
Além disso, há as margens de distribuição e retalho. As empresas de combustível (Galp, BP, Repsol, entre outras) têm custos de transporte, armazenamento e operação dos postos de abastecimento, o que também se reflete no preço.
Portanto, o consumidor paga não só pelo petróleo e refinação, mas também por toda a estrutura que garante que o combustível chegue à bomba.
Porque o Brent sobe (ou desce)
As flutuações no preço do Brent dependem de uma combinação de fatores económicos, geopolíticos e climáticos. Entre os principais estão:
- Oferta e procura global: Se a procura aumenta (por exemplo, em períodos de crescimento económico), o preço tende a subir.
- Decisões da OPEP+: O grupo de países produtores, liderado pela Arábia Saudita e pela Rússia, pode aumentar ou reduzir a produção, influenciando o preço mundial.
- Conflitos e instabilidade: Guerras, sanções e tensões no Médio Oriente afetam o fornecimento e provocam subidas de preços.
- Reservas e produção nos EUA: A extração de petróleo de xisto nos Estados Unidos também influencia o equilíbrio global.
- Políticas energéticas e transição verde: Medidas que incentivam o uso de energias renováveis podem reduzir a procura por petróleo a longo prazo, pressionando os preços.
Conclusão
O preço do petróleo Brent é uma das variáveis mais importantes da economia global e tem impacto direto no dia a dia dos portugueses. Desde o momento em que é extraído até ao instante em que o consumidor enche o depósito, há uma cadeia complexa de fatores, cambiais, fiscais e logísticos, que determinam o preço final.
Entender essa relação é essencial não só para quem conduz, mas também para quem quer investir ou simplesmente perceber melhor o que move os preços à bomba. Afinal, quando o Brent sobe, todos sentimos o efeito, no carro, no supermercado e até na fatura de eletricidade.


