P – A Feira Concurso do Jarmelo continua a atrair uma multidão. É possível continuar a crescer?
R – É uma feira que já está enraizada nas povoações à volta e no próprio concelho da Guarda. Também vêm muitas pessoas de fora e, por isso, vale a pena continuar. Será preciso fazer alguns pequenos acertos para que continuemos a incentivar a vinda de mais gente, numa aposta no turismo. De qualquer forma, vê-se pelo número de pessoas que as coisas estão a correr bastante bem, na continuidade dos anos anteriores. São milhares de pessoas que vêm ver os animais e criam uma importante dinâmica na economia local, fundamental para esta zona.
P – Quanto ao número de criadores da vaca jarmelista, como tem sido a evolução?
R – O número de produtores da vaca jarmelista tem aumentado. É das poucas raças de bovinos autóctones que continua com um ligeiro aumento. Não é aquilo que pretendíamos, queríamos muito mais, mas estamos a percorrer o caminho, fruto também do incentivo das ajudas comunitárias à instalação de jovens agricultores com raças autóctones. Continuamos a dar passos, mas vamos evoluindo lentamente. Alguns produtores já estão a fazer a comercialização direta dos animais para carne e todos sabemos que, como raça autóctone, a carne jarmelista é muito, muito, boa. Na edição deste ano tivemos 14 criadores de ovinos, cinco criadores de caprinos e 10 criadores de bovinos jarmelistas. É um ótimo número, mas vamos continuar a lutar para que tenhamos aqui ainda mais produtores e mais gente. Temos que alargar este espaço porque as pessoas vêm também para ver os animais. É uma festa de todos, mas a dinâmica são os animais. Gostamos muito que as pessoas tenham noção do tratamento e do trato que nós damos aos animais, para que passe a mensagem verdadeira de que, em primeiro lugar, salvaguardamos o bem-estar dos animais.
P – E a realização do primeiro concurso gastronómico valeu a pena?
R – Foi muito positivo. Apesar de pensarmos que, sendo o primeiro ano, poderia haver uma adesão muito pequena, não foi isso que aconteceu. Tivemos os dois restaurantes, com capacidade para 180 pessoas, completamente cheios, numa excelente dinâmica entre as sete da tarde e a uma da manhã. A noite de sábado também ajudou e correu maravilhosamente bem. Faz todo o sentido continuarmos a promover aquilo que é nosso e dizermos às pessoas que venham, que provem aquilo que é nosso, porque, efetivamente, sabe-nos muito melhor. É importante salientar que garantimos ao consumidor que os produtos que vendemos são de animais criados em modo extensivo, em perfeita liberdade e, por isso, trazem um selo de qualidade e diferenciado de todos os outros.
P – Concorda que sem o suporte da Acriguarda a realização desta feira concurso não seria possível?
R – Esta feira começou com a Direção de Alimentação e Veterinária, mas atualmente a DGAVE deixou de ter capacidade para promover esta dinâmica e, na primeira oportunidade, na primeira solicitação que foi feita à Acriguarda, aceitámos o desafio. Estou há 35 anos na Acriguarda e desde aí tem sido a associação de criadores a promover todos os regulamentos e a entrada. É o júri de admissão e sem nós, efetivamente, isto não se faria. Não existe nenhuma associação na Guarda ou no distrito que tenha a dinâmica e capacidade técnica que nós temos para promover esta feira. Somos também os primeiros interessados, porque os nossos sócios são os agricultores e temos de defendê-los. Também os convidamos a participar nesta feira e a adesão está à vista de toda a gente.
P – É uma logística difícil?
R – Em termos de logística é complicado. Já disse a todos os organizadores que a próxima edição da feira do Jarmelo deve começar a ser programada amanhã. Toda esta dinâmica, mobilização dos agricultores, controlar todos os regulamentos, leva tempo. É preciso começar a tratar de tudo com muita antecedência para que as coisas corram bem. O bem-estar dos animais também é fundamental e temos que ter algum cuidado para que se passe a visão para o exterior e para o consumidor que os nossos animais são efetivamente bem tratados.
CARA A CARA entrevista a Paulo Poço, Diretor Técnico da Acriguarda – Associação de Criadores de Ruminantes do Concelho da Guarda



