José Sócrates acusa Cavaco Silva de ter publicado um livro que não é mais do que “um autorretrato perfeito das consequências que o ressentimento pode ter no carater de um político”. Através de um texto de opinião publicado no Diário de Notícias, José Sócrates define o livro “Quinta-feira e outros dias”, da autoria do antigo Chefe de Estado, como “conversas distorcidas e falsas, que não passam de vulgar exercício de mesquinhez disfarçado de relato histórico”.
Sócrates atém-se àquilo a que chama “episódio das escutas” para desmentir categoricamente o antigo Presidente da República. “Custa acreditar na perfídia que a recente versão do livro contém: afinal, as notícias sobre as escutas teriam sido intencionalmente colocadas na imprensa pela ‘tenebrosa máquina de propaganda do PS’, para, claro está, afetar a credibilidade do Sr. Presidente”, ironiza o ex-primeiro ministro.
“Por mais desprezo que sinta – e sinto – por tal estilo e por tal literatura, não posso consentir que tal deturpação da verdade fique sem resposta.” O que se passou, diz José Sócrates, foi que “pela primeira vez na história democrática do país ficou provado que um Presidente concebeu e executou uma conjura baseada numa história falsa, por forma a deitar abaixo um governo legítimo em funções”.
Sócrates acusa ainda Cavaco Silva de se pautar pela “vingança e desforra” e defende que o antigo Presidente “não tem moral para dar lições de lealdade institucional”.


