Vergonha
Há dias foi na Itália. O primeiro-ministro Berlusconi decidiu durante o intervalo de um jogo dar “ordens” ao treinador da sua (sua mesmo!) equipa, o “Milan”. O patrão mandou jogar com dois avançados em vez de um. Não contente com a façanha decidiu ainda, à noite, monopolizar tempo de antena na sua televisão (que por acaso é a estatal também) para exprimir os seus pontos de vista e para acabar de dar os seus recados ao treinador. Assim mesmo, sem qualquer vergonha!
Por cá, foi o que se viu. O presidente da Câmara de Marco de Canaveses decidiu fazer no seu campo (seu de nome) um espectáculo bem triste. Por causa de não concordar com uma decisão do árbitro insurgiu-se grosseiro e inconveniente. Foi vê-lo de dedo em riste, vociferando, ameaçando, dando pontapés nos objectos (seus!?). Não contente com a exibição foi de seguida para as televisões dizer que se fosse agora faria o mesmo e que não estava fora de si e que tudo tinha sido pensado e propositado. Berlusconi à portuguesa. Ainda por cima com o beneplácito da GNR.
Tento encontrar uma explicação para estes actos de abuso de poder, de prepotência, de “quero posso e mando”. Será o poder e a riqueza a turvar o discernimento e a fazer esquecer papéis e estatutos? Seja como for é triste que tais cenas aconteçam. Para mais sabendo-se do impacto negativo que podem ter em quantos se preparam para nos visitar. Mas que belo cartão de visita!
Cem anos
Lembro-me como se fosse ontem da boda de diamantes do Benfica. Nessa altura era treinador de equipas de formação do CDUL e frequentemente jogávamos com o Benfica. Recordo as visitas à Luz e o respeito que tais visitas provocavam. Entrava-se nos balneários e os jogadores como que por magia faziam silêncio. Havia solenidade e respeito no ar. Nesses dias não era preciso chamar à atenção. Todos sabiam o que tinham de fazer, cada um tratava de se equipar o melhor possível. Depois, no campo a entrega era a máxima. E mesmo que não fosse a suficiente, havia sempre uma desculpa, era o Benfica.
Hoje celebra-se o centenário (será a boda de quê?) e o momento desportivo não é dos mais felizes. Fazem-se agora sentir no clube os efeitos de algumas gestões ruinosas. Dói ver andar os jogadores de saco às costas sem saber onde treinar no dia seguinte. Tais condições não serão alheias a um menor rendimento da equipa. Um clube como o Benfica não pode estar sujeito a contingências dessas. Têm que melhorar-se as condições de treino se se quer recuperar a grandeza. Que aliás é imensa e sobre a qual falam os números por si. É o clube com mais participações e mais êxitos nas competições internacionais e um dos primeiros da Europa. É o clube com mais provas ganhas em Portugal. É um dos clubes com mais adeptos no mundo. Resta recuperar o respeito. Parabéns Benfica.
Por: Fernando Badana


