Viktor Orbán liderou a Hungria durante 16 anos de forma autocrática e iliberal. Foi mesmo um exemplo para muitos políticos de extrema-direita e um aliado reconhecido e entusiasta de Putin e Trump. Inspirou partidos e líderes de um populismo em crescimento, de um nacionalismo que pensávamos esquecido na gaveta dos horrores fascistas da primeira metade do séc. XX.
Orbán atrapalhava a solidariedade europeia, impedia o desenvolvimento social e económico do maior projeto político moderno (a União Europeia), controlou o sistema político e judicial húngaro, dominou (dobrou) a imprensa magiar, reprimiu a imigração e aniquilou as minorias.
No passado domingo, Viktor Orbán perdeu as eleições de forma inequívoca (uma derrota que o autocrata reconheceu). Com a vitória de Peter Magyar, que se apresenta como populista, nacionalista e conservador, dissidente precisamente do partido de Orban, não significa que tudo será diferente na Hungria, pois em muitos temas converge com Orbán. Mas, mesmo não sendo previsível uma rutura com algumas políticas anteriores, a sua vitória significa a recusa do que significava o regime nacionalista, xenófobo e extremista de Orbán.
A vitória de Magyar significou a derrota dos iliberais e da extrema-direita. E, mais importante, significou a derrota de Putin, que tinha em Orbán um aliado, e significou uma grande derrota para Trump e para todo o movimento nacionalista que parecia não parar de crescer no mundo, com uma grande atração de jovens.
Enquanto assistimos à tentativa de mudar a ordem global, com modelos autoritários, a mudança de regime na Hungria mostra que o processo não é irreversível e que é possível inverter a tendência de crescimento da extrema direita e derrotá-la democraticamente. A ida em massa dos húngaros às urnas para derrotarem o regime autocrático, mostrou que a democracia ainda é a escolha da maioria. Tal como na Hungria no passado domingo, também em Portugal, quando a escolha foi entre António José Seguro e André Ventura, o aumento expressivo de eleitores a ir votar, evidencia a preocupação dos eleitores perante políticos extremistas e nacionalistas. A Europa respirou de alívio, e a democracia liberal recupera a sua preponderância no velho continente.
PS: O Governo lançou o concurso para projeto do IC26 entre Lamego e Trancoso. O lançamento deste Itinerário Complementar (para substituir a EN 226) é uma velha aspiração dos municípios do norte da Beira Alta, que irá permitir a criação de um corredor rodoviário estratégico entre a A24 e o IP2. Essa ligação contribuirá para uma melhor mobilidade entre o Douro e a Beira e será determinante para a correção de assimetrias e a coesão territorial. Após a conclusão do projeto, seguir-se-ão os procedimentos necessários para o lançamento da obra, mas ainda vai faltar muito até a região ter esta nova via de comunicação e desenvolvimento social e económico. Mas este é um momento de regozijo e celebração por, finalmente, o projeto ser lançado.




