Editorial de Luís Baptista-Martins: Um ano com pouco para celebrar

O ano de 2025 foi marcado por eventos inesperados e a evidência das alterações climáticas. A instabilidade geopolítica e de mercados foi uma constante, refletindo tensões prolongadas. Internacionalmente, diversas personalidades estiveram em evidência, com destaque para figuras políticas como Volodymyr Zelensky e Donald Trump, mas também a eleição de um novo Papa, o americano Robert Francis Prevost que adotou o nome de Leão XIV, sucedendo ao Papa Francisco. A inteligência artificial também se consolidou como um tema proeminente, com potencial para moldar o futuro. E se os conflitos e guerras continuam na ordem do dia, em Gaza houve um acordo de paz que levou alguma tranquilidade à região, enquanto a Ucrânia continua a sofrer a tragédia de uma guerra sem fim (que a Rússia não vai parar e a Europa paga).

O ano de 2025, em Portugal, apresentou uma atividade económica com previsão de crescimento de 2,0% e a inflação deverá estabilizar em torno de 2%, depois de uma escalada que fez desaparecer o dinheiro dos bolsos dos portugueses. O ano também ficou marcado pelo regresso às urnas para confirmar Luís Montenegro como primeiro-ministro, enquanto duas mulheres eram eleitas deputadas pelo distrito da Guarda, Dulcineia Catarina Moura (PSD) e Aida Carvalho (PS). Um distrito onde Rita Figueiredo (presidente da ULS-Guarda) e Joaquim Brigas (presidente do IPG) confirmaram a sua relevância regional pela positiva: a ULS-Guarda resistiu aos problemas da maioria dos hospitais portugueses com sucesso e abriu uma nova maternidade onde todas as grávidas vão querer parir (a “Rolls Royce” das maternidades portuguesas, como disse Ana Mendes Godinho); o IPG avançou com um primeiro doutoramento, afirmou-se na investigação e ciência e resiste… Destaque também para Carlos Condesso, reeleito presidente em Figueira de Castelo Rodrigo e escolhido para presidir nos próximos quatro anos à CIM da Região das Beiras e Serra da Estrela e para Flávio Massano, que voltou a ganhar em Manteigas e assumiu uma das vice-presidências da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Também foi o ano de Rui Ventura: o ex-presidente da Câmara de Pinhel passou a liderar o Turismo do Centro – 100 municípios que querem ser destino dos turistas, num sector que continua a crescer e é a panaceia do país.

2025 foi também o ano em que faleceu Francisco Pinto Balsemão. Cidadão honorário da cidade da Guarda, jornalista e empresário, fundador do Expresso e da SIC, foi primeiro-ministro e fundador do PSD – a Guarda deve promover uma homenagem póstuma que perpetue a sua ligação à cidade de onde era originário e ao distrito de que foi deputado.

As eleições autárquicas foram outro dos momentos relevantes de 2025. Na Região das Beiras, Hélio Fazendeiro ganhou na Covilhã, António Beites surpreendeu ao conquistar Belmonte, Pedro Duarte é o novo edil de Foz Côa, César Figueiredo assumiu a presidência na Mêda, Daniel Joana em Trancoso, Jorge Ferreira em Gouveia, Alexandre Lote em Fornos de Algodres e Daniela Capelo venceu em Pinhel, sendo a primeira mulher a liderar a “Cidade Falcão” e a única presidente de Câmara das Beiras e Serra da Estrela.

Sérgio Costa foi a Personalidade do Ano no distrito da Guarda. O autarca da Guarda teve uma vitória expressiva e afirmou-se como o líder mais popular da região – a sua eleição é unipessoal e tem um mandato para implementar o seu programa, sem margem para desculpas ou tolerância para errar. Sérgio Costa foi reeleito presidente da Câmara Municipal da Guarda liderando a coligação “PG”, “Nós Cidadãos” e “PPM” – em 2025 o “independente” aumentou sobremaneira a votação conquistando 11.168 votos enquanto o PSD perdeu com 7.378 votos, enquanto em 2021 tinha ganho com 8.559 votos contra 7.958 do PSD.

2025 foi também o ano que viu chegar D. José Miguel Pereira, como bispo da Diocese da Guarda, num ano em que os incêndios dizimaram milhares de hectares e a Região das Beiras e Serra da Estrela desceu mais uns degraus no rendimento per capita comparativamente ao resto do país – voltou a ser a terceira região com PIB mais baixo de Portugal.

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Luís Baptista-Martins

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