Já se sabe um pouco mais sobre o impacto do ataque informático aos servidores da Câmara da Guarda. Na última reunião quinzenal do executivo, realizada excecionalmente esta sexta-feira, o presidente Sérgio Costa admitiu que o município está há uma semana sem serviços informáticos e site da Internet devido a um «incidente cibernético complexo», que ainda não está resolvido.
O autarca do PG/Nós, Cidadãos!/PPM reconheceu que a autarquia está perante «um caso de força maior», pois «estamos absolutamente bloqueados em muitos serviços».
«Trata-se de um incidente cibernético complexo registado no dia 12 de fevereiro, que condicionou, condiciona e vai continuar a condicionar o funcionamento dos nossos serviços», acrescentou Sérgio Costa aos jornalistas no final da reunião.
O ataque informático ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Judiciária efetuava buscas na Câmara da Guarda para recolher elementos de provas, no âmbito de um inquérito instaurado por participação económica em negócio e prevaricação de titular de cargo político.
O silêncio prevaleceu desde então, mas hoje o executivo ficou a saber que «a segurança integral da informação e dos dados pessoais dos munícipes está salvaguardada».
«Estamos a trabalhar arduamente, em estreita articulação com as autoridades policiais de investigação e com consultores para nos ajudarem a restabelecer a normalidade de forma blindada e definitiva», informou ainda o presidente da Câmara, adiantando que atualmente apenas o Balcão Único está a funcionar, «mas condicionado».
A Câmara da Guarda ainda não tem uma previsão para a resolução do problema.
Alexandra Isidro, vereadora da coligação PSD/CDS/IL, considerou ser necessário informar a população sobre «o que está disponível, quais são os constrangimentos, até para as pessoas saberem quais os serviços que podem utilizar».
Já António Monteirinho, vereador do PS, lamentou que o presidente não tivesse dado mais explicações sobre o ataque informático.
«Ficámos sem saber se é, ou não, um vírus, se há, ou não, pedido de resgate e quem sequestrou essa informação. Acho que mereceríamos essa resposta. Esperamos que, no momento oportuno, a Câmara possa esclarecer todos os guardenses», declarou.
Esta sexta-feira, o executivo aprovou, por maioria, com a abstenção dos três eleitos do PS e da coligação PSD/CDS/IL, a contratação de um empréstimo, de longo prazo, de 11,2 milhões de euros para a empreitada de regeneração urbana do Vale do Cabroeiro.
A oposição também se absteve na aprovação da nova estrutura orgânica dos serviços municipais, que vai passar a ter dois departamentos e 14 divisões.
Estes dois assuntos vão ser submetidos à Assembleia Municipal de 28 de fevereiro. A sessão ficou ainda marcada por uma interrupção após um desentendimento entre João Prata e Sérgio Costa. O vereador do PSD/CDS/IL não gostou que o presidente da Câmara falasse com um dos seus vereadores enquanto intervinha e criticou a atitude de Sérgio Costa.
O diálogo subiu de tom e a reunião teve que ser suspensa temporariamente, mas foi retomada e decorreu com normalidade. No final, ao jornalistas, João Prata classificou a atitude de Sérgio Costa como sendo a de «um monarca que se julga dono de tudo». E prosseguiu: «Foi uma brincadeira de Carnaval do presidente e um sintoma de autoritarismo e de falta de respeito por quem está nesta sala».
Na resposta, Sérgio Costa foi lacónico: «São declarações de criancice que não devo comentar», disse.
Saiba mais na próxima edição de O INTERIOR.


