Região

Fecho de fábrica de confeções de Famalicão deixa 70 pessoas no desemprego

Escrito por Jornal O Interior

Sempre no fio da navalha, a Confama não tem dinheiro para pagar ordenados e já não tinha encomendas para gerar receitas. Os funcionários, maioritariamente mulheres e a auferirem sobretudo o ordenado mínimo, suspenderam os contratos laborais na segunda-feira e rumaram ao Centro de Emprego.

A falta de dinheiro para pagar ordenados forçou a Confama, empresa de confeções de Famalicão da Serra, a fechar portas na passada sexta-feira. Este desfecho era previsível depois de várias ameaças nos últimos anos e atirou cerca de 70 trabalhadores para o desemprego. Os funcionários, maioritariamente mulheres e a auferirem sobretudo o ordenado mínimo, suspenderam os respetivos contratos laborais na segunda-feira e rumaram ao Centro de Emprego.
A fábrica que laborava há 29 anos naquela freguesia do concelho da Guarda dedicava-se à produção de vestuário masculino, mas sempre viveu na corda bamba. «O dinheiro que entra é da produção que sai. Se não há encomendas não há dinheiro. Parámos porque já não temos encomendas e a empresa já não tem dinheiro para honrar os seus compromissos com as trabalhadoras», disse fonte da gerência da Confama, que pediu para não ser identificada. A essa falta de liquidez somar-se-á também o volume de dívida à banca, apurou O INTERIOR. Atualmente a empresa tem parte do mês de janeiro por pagar e a totalidade do vencimento de fevereiro, montante que deverá agora ser suportado pelo Fundo de Garantia Salarial da Segurança Social. «As funcionárias receberam uma declaração da Confoma em conforme esta não tem dinheiro e não está a conseguir pagar os ordenados para que possam suspender o contrato de trabalho e recorrer ao fundo de desemprego. É a solução para que estas pessoas possam ter ajuda do Estado», acrescentou a mesma fonte.
O responsável adiantou que a fábrica ainda não declarou insolvência: «Por enquanto apenas cessou a atividade porque há sempre a esperança de que possa retomar a laboração, mas é uma hipótese muito difícil de concretizar nos próximos tempos». Também para Raquel Silvestre, «a esperança é a última a morrer». A operária afirma que a Confama «tem condições e equipamento para continuar a laborar. Tomáramos nós que reabrisse, mas eles dizem que têm dívidas ao banco». Funcionária da Confama há mais de 20 anos, a habitante de Famalicão da Serra não esconde que não foi apanhada de surpresa com o fecho da empresa: «Era um desfecho que já se previa da maneira como isto andava. Houve uma altura em que houve muito trabalhinho. Em janeiro ainda trabalhámos bem, mas no mês de fevereiro é que já não», adianta a O INTERIOR, acrescentando que nos últimos anos houve sempre ordenados em atraso.
Quanto ao futuro, Raquel Silvestre garante que quer trabalhar. «Somos novas, não queremos ficar no desemprego muito tempo, temos de tratar da nossa vida por outro lado. Vamos ver, o problema é que não há muitas alternativas na região», lamenta. A Confama empregava maioritariamente residentes em Famalicão da Serra, mas também operárias de Malpique e Terlamonte, no concelho de Belmonte; do Teixoso e Ferro, no concelho da Covilhã; de Sameiro e Vale de Amoreira, no concelho de Manteigas, e da aldeia vizinha de Valhelhas, já no concelho da Guarda. Da cidade mais alta, onde também fechou a loja de venda ao público da empresa, vinham também algumas funcionárias.

Tempos difíceis para Famalicão

«A administração entendeu que o caminho, para já, era os trabalhadores irem para a suspensão, para não continuarem sem receber», disse Carlos João, dirigente do Sindicato Têxtil da Beira Alta (STBA), que esteve nas instalações da empresa esta segunda-feira e acompanhou as trabalhadoras ao IEFP.
Para o sindicalista, a Confama sempre trabalhou «a feitio», ou seja, a para outras empresas e já não conseguiu produzir uma encomenda de vestidos. «A situação é preocupante para estas pessoas porque não há grandes alternativas de trabalho», acrescentou. Uma preocupação partilhada por Honorato Esteves, presidente da Junta de Freguesia: «Naturalmente que, numa freguesia com cerca de 500 eleitores, isto vai ter um impacto profundo. Adivinham-se tempos bastante difíceis para Famalicão e sobretudo para aquelas famílias», afirmou, lembrando que a fábrica era a maior unidade empregadora da freguesia. O autarca acrescentou que «tanto o proprietário, como outras entidades, irão empenhar-se para tentar encontrar uma solução», mas reconheceu não saber «como dar a volta à situação em termos de emprego». Este é o segundo caso de fecho de empresas no concelho da Guarda desde o início do ano. Em meados de janeiro, a Serralã fechou portas na localidade de Trinta deixando no desemprego 14 pessoas.

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