Sem aviso e de surpresa, Portugal cresceu. Segundo os dados publicados na semana passada pelo INE, a população residente em Portugal atingiu o número recorde de 11,5 milhões de habitantes – nunca tantos viveram em Portugal!
A mudança de metodologia usada pelo INE pôs assim fim ao apagão estatístico. Portugal terá 11,4 milhões de residentes, dos quais 1,6 milhões estrangeiros – 14% da população total. Entre 2021 e 2025, a população estrangeira terá mais do que duplicado.
Segundo a estimativa do INE, a 31 de dezembro do ano passado, viviam no país 1.597.539 estrangeiros. O número de imigrantes mais do que duplicou entre 2021 e 2025, sendo determinante para o aumento da população.
O aumento populacional considerado é especialmente relevante nos concelhos do litoral e nomeadamente nas regiões metropolitanas de Lisboa e Porto.
No interior do país, habituados ao despovoamento contínuo ao logo dos anos, há também a registar um aumento populacional junto dos principais polos urbanos.
A Comunidade Intermunicipal Região das Beiras e Serra da Estrela regista, segundo a estimativa do INE, um crescimento de cerca de 2,5%, com um aumento populacional de 5.320 habitantes, passando de 207.765 em 2021 para 213.085 em 2025.
O concelho de maior crescimento populacional das Beiras e Serra da Estrela foi o da Covilhã, com mais 7% de habitantes no período em análise, passando de 47.585 residentes para 51.045; depois o Fundão, que cresceu 5%, passando de 26.229 para 27.754 habitantes; seguiu-se o concelho da Guarda, que cresceu pouco mais de 2%, passando de 39.870 habitantes em 2021 para 40.867 em 2025; também Belmonte cresceu cerca de 2%, enquanto Celorico da Beira e Gouveia aumentaram 1%; e também Seia tem um saldo positivo, ainda que residual.
Os demais concelhos da região, segundo o INE, terão conseguido estancar o despovoamento contínuo, mas continuam a perder residentes. Os concelhos de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal ou Trancoso terão agora menos algumas dezenas de habitantes do que em 2021, mas o despovoamento tem sido mitigado com a chegada de imigrantes. Por último, ainda no distrito da Guarda, Aguiar da Beira tem mais 20 habitantes, enquanto o concelho de Vila Nova de Foz Côa perdeu 80 habitantes nos últimos 5 anos – o aparente dinamismo de Foz Côa na prática não se traduz em desenvolvimento económico, nem em atração de empresas e trabalhadores.
Depois de dezenas de anos de despovoamento, o Inverno demográfico terá sido menos vigoroso nos últimos anos, segundo o INE, graças à chegada de imigrantes – o saldo natural continua negativo. O saldo populacional positivo aconteceu apenas nos concelhos economicamente mais dinâmicos e desenvolvidos. Ou seja, foi a economia que determinou as oscilações migratórias. Mesmo assim, envelhecemos e a população ativa só cresceu graças aos imigrantes – num país sem desemprego, com mais 600 mil pessoas a trabalhar, o que seria de nós sem eles? Recebemos imigração pouco qualificada e desintegrada porque é isso que o modelo económico com pouco valor acrescentado absorve. O problema não é quem entra. É procurar um novo paradigma de desenvolvimento e mudar o que o país oferece. E é exponenciar todos os recursos e meios. As pequenas cidades também têm futuro e podem crescer, com os naturais e com imigrantes – tudo depende da economia.


