P – O que está na origem da fundação da Associação dos Moradores e Proprietários do Centro Histórico de Pinhel?
R – O centro histórico de Pinhel, como qualquer centro histórico do país, encerra em si mesmo valores históricos, identitários, sociais e patrimoniais que devem não só ser preservados, mas, mais do que isso, estimulados e valorizados. A associação nasceu da ideia de três vizinhos (eu própria, Anália Marta, vice-presidente, e Ricardo Avelãs Nunes, tesoureiro), que se empenharam na criação desta estrutura para valorizar, enaltecer e dar voz a esta zona da cidade, especialmente na identificação e resolução de questões comuns, como, por exemplo, a recolha de lixo, a reciclagem e as acessibilidades. Neste sentido, a ideia passa por dinamizar o local com atividades diversas (para residentes e restante comunidade) e zelar continuamente pela valorização e manutenção deste “bairro” histórico de Pinhel.
P – Quantos associados tem? Qual é o vosso objetivo?
R – Neste momento, a associação conta com 56 associados. O nosso objetivo passa por melhorar as condições de vida dos associados, promover a sociabilidade entre os vizinhos, defender os interesses dos moradores e dinamizar o espírito comunitário e associativo através da realização de eventos e atividades várias (culturais, recreativas, sociais).
P – Como está a zona histórica e do que precisa para ser mais atrativa?
R – A zona histórica de Pinhel tem assistido, nos últimos anos, a um movimento de revitalização urbana, quer por iniciativa pública, quer privada. A realização de investimentos públicos na área de influência do castelo tem levado a uma transformação urbanística que, de certo modo, tem sido acompanhada pelos proprietários privados e tem, inclusivamente, trazido novos moradores. Apesar do centro histórico albergar o “ex-líbris” patrimonial de Pinhel – a muralha e as torres do castelo – há sempre algo mais a fazer para melhorar a sua atratividade. Para tal, e em linha de conta com o que defende a associação, considera-se que há um importante trabalho de união e sensibilização a fazer, sobretudo junto dos próprios moradores, no sentido de se valorizar ainda mais este local, contribuindo para o seu prestígio e a sua notoriedade respeitando o valor histórico com que convivemos diariamente; por outro lado, consideramos de maior importância a realização de mais iniciativas – sobretudo de índole cultural e social/comunitária – que atraiam, com maior regularidade, as pessoas (habitantes e turistas) a este local emblemático de Pinhel. O município tem feito um esforço na concretização de alguns eventos nesta zona – de que é exemplo a Feira Medieval – mas acreditamos que podemos dar uma ajuda na dinamização do centro histórico da cidade, razão pela qual se fundou esta agremiação.
P – O que vai fazer a associação para divulgar e promover o centro histórico de Pinhel?
R – A associação foi fundada a 11 de abril de 2025 e dinamizou algumas atividades neste ano. Primeiro, a comemoração dos santos populares – uma iniciativa aberta a toda a comunidade –, depois o S. Martinho, com a realização de um magusto para associados e, no fim do ano, a dinamização de um presépio na Igreja de Santa Maria do Castelo, a igreja matriz da cidade. Este último momento serviu, simultaneamente, o propósito de abrir ao público o templo religioso mais antigo de Pinhel, que, habitualmente, está fechado. No início deste ano recuperámos a tradição de Cantar as Janeiras e está em plena concretização um plano de atividades dinâmico e tão eclético quanto possível. É intenção da direção promover, pelo menos, uma atividade por mês e manter o centro histórico sempre em movimento. A próxima – aberta a todas as pessoas – decorrerá já no próximo 28 de março – Dia Nacional dos Centros Históricos – e será o “peddy paper” “Entre Pedras”, que convidará os participantes a redescobrir o centro histórico de Pinhel numa manhã que esperamos de convívio e partilha. Já no dia 11 de abril comemoraremos o primeiro aniversário da associação com uma caminhada histórica e um almoço-convívio, igualmente abertos a todos os interessados. Nos restantes meses do ano realizar-se-ão outras iniciativas para as quais convidamos os leitores participar e a acompanhar nas redes sociais da associação. Temos ainda promovido diversas reuniões com entidades locais (Junta de Freguesia, Município, GNR), no sentido de dar cumprimento aos seus objetivos.
P – E com que apoios contam para desenvolver essas atividades?
R – Por enquanto, a associação sobrevive essencialmente das quotas dos seus associados e das verbas arrecadadas nalgumas iniciativas que já promoveu. É ainda uma coletividade muito jovem e não tem ainda selados protocolos financeiros, mas tem contado com o apoio das entidades públicas locais, nomeadamente da Junta de Freguesia e do município. Temos também beneficiado de parcerias estratégicas com outras instituições como o Agrupamento de Escolas, algumas IPSS do concelho e associações para pessoas com deficiência.
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Perfil:
Ana Pinto
Presidente da direção da Associação dos Moradores e Proprietários do Centro Histórico de Pinhel
Idade: 35 anos
Naturalidade: Pinhel
Profissão: Funcionária autárquica
Currículo (resumido): Licenciada em Turismo e Lazer, mestre em Estudos de Cultura; Exerce funções de técnica superior de Turismo na Câmara Municipal de Pinhel desde 2018; Clarinetista da Banda Filarmónica de Pinhel desde 2002.
Livro preferido: “Crónica dos Bons Malandros”, Mário Zambujal
Filme preferido: “Cinema Paraíso”, de Giuseppe Tornatore
Hobbies: Ler, escrever, fazer investigação histórica e participar nas atividades da Banda Filarmónica de Pinhel.



