P – O carro alegórico que idealizou foi o vencedor do cortejo carnavalesco na Guarda. De onde veio a ideia, o que estava retratado no carro?
R – O nosso tema estava relacionado com notícias falsas, mas com fundamento de realidade. Retratámos um bocadinho do que ia acontecendo, quer a nível mundial, local, nacional e regional. Pegámos no que ia aparecendo e no que se ia falando sobre vários assuntos, e transformámos edições de jornais e revistas verdadeiros com histórias falsas. As nossas imagens pareciam mesmo as primeiras páginas de revistas e jornais, mas não eram. No fundo, a ideia surgiu por falta de tempo para pensar noutra. Então falámos de tudo um pouco, mas de forma satírica.
P – Foi um tema pensado à última da hora, mas o objetivo concretizou-se. Abordaram temas e rostos conhecidos pelas gentes da Guarda, o que também aproximou o público do vosso carro.
R – Concretizou-se! À medida que se ia fazendo uma revista, um jornal com uma ideia, iam surgindo outras ideias e foi-se preenchendo o quiosque com mil e um edições diferentes – o que foi engraçado, tal como ver a reação das pessoas ao verem em pormenor cada capa de jornal e de revista. Fizemos trocadilhos com frases e com os assuntos, de forma a brincarmos com as histórias, até nos nomes dos jornais, como, por exemplo, o “Jornal do Fundão” mudámos para “Jornal do Fundo”; O INTERIOR substituímos por “O EXTERIOR”. Portanto, quisemos ter sempre um trocadilho quer do nome do próprio jornal, como da notícia relacionada com a nossa realidade.
P – No desfile, como foi a reação das pessoas? E para a organização, como foi lidar com as opiniões?
R – Fica um sentimento de que houve um grande trabalho de equipa para pôr tudo, materializar a ideia, criar os jornais falsos com folhas de papel, agrafá-los e expô-los de forma atrativa. O carro alegórico ficou mesmo a parecer um quiosque, como era o objetivo, e foi um trabalho que valeu a pena! As pessoas divertiram-se e nenhum dos visados levou a mal o que foi exposto. Penso que tudo valeu a pena. Ainda eramos um grupo de trabalho de 30 pessoas.
P – Uma vez que a ideia apareceu à última da hora, esperavam que o carro do Jarmelo fosse o vencedor deste Carnaval na Guarda?
R – Não, porque no Jarmelo normalmente participamos sem ter esse objetivo. Participamos porque queremos divulgar coisas do Jarmelo ou problemas, por isso o obrigatório era participar o melhor possível, divulgando as nossas preocupações, problemas e ideias. Este ano calhou bem e as pessoas aderiram e acharam piada.
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DADOS DE PERFIL:
Isidro Almeida
Um dos impulsionadores do carro alegórico vencedor do Guarda Folia (JARMELO SÃO PEDRO)
Idade: 54 anos
Naturalidade: Guarda
Profissão: Arquiteto
Currículo (resumido): depois de cursar Arquitetura, começou por trabalhar num gabinete de projetos particular. Depois passou pela Câmara Municipal de Pinhel durante 10 anos e está há 15 na Câmara Municipal da Guarda.
Hobbies: Associativismo e natureza


