P – Como surgiu a possibilidade de mudança para uma casa nova, no Torreão?
R – Deve-se a um pedido que fizemos ao município, que conseguiu disponibilizar-nos este espaço fantástico no Quarteirão Associativo. Não é o espaço que a UPIR necessitaria, tendo em conta o material que já possui, mas já é uma sede digna para recebermos as pessoas. Estas instalações são mais um passo importante para o reforço da nossa missão e capacidade de resposta ao serviço da comunidade. A nossa sede estava num armazém da minha empresa, mas já não tinha condições para receber as diversas entidades e também os sócios. Ainda assim, vamos continuar a utilizar aquele espaço para armazenar o material de resgate e afins e este novo, com dois pisos, será para a receção das pessoas e gabinetes para a direção, comando e formação.
P – Recorde-nos como surgiu a UPIR e porquê?
R – A UPIR surgiu em 2022 da vontade de ajudar o próximo, no que tem a ver com as pessoas desaparecidas. Fomos vendo alguns pedidos de populares quando havia desaparecidos, nomeadamente o episódio da criança que desapareceu em Idanha-a-Nova. Nessa altura, algumas pessoas da Guarda juntaram-se e foram ajudar nas buscas. Acabámos por criar a nossa associação, mas nunca pensámos que atingiria esta dimensão. A UPIR está vocacionada para busca e salvamento, apoio às populações afetadas por catástrofes naturais e/ou outras situações de exceção, bem como para apoio geral na proteção de pessoas e bens.
P – Trata-se de uma unidade com abrangência nacional. Qual o cenário atual?
R – A sede da UPIR é aqui na Guarda, mas já temos a funcionar uma delegação em Coimbra e vamos abrir também uma secção no Algarve. É uma forma de cobrirmos um pouco mais o nosso território. Trata-se de uma dimensão que não estávamos à espera, mas devido à necessidade de ajudar as outras entidades no socorro, a UPIR tem estado a crescer. Cumprimos três anos de existência e penso que o balanço é francamente positivo.
P – E porquê o pedido de reconhecimento à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)?
R – Somos reconhecidos pela ANEPC. Foi algo que pedimos no sentido de podermos colaborar corretamente nos teatros de operações, seja em incêndios, em catástrofes ou nas buscas por pessoas desaparecidas. É uma forma de também termos alguma dignidade nesse teatro de operações. Somos uma associação sem fins lucrativos, composta por uma equipa multidisciplinar de voluntários, nos quais se incluem psicólogos, enfermeiros, veterinários, bombeiros, entre outros.
P – Que objetivos tem a UPIR a curto/médio prazo?
R – Um dos objetivos é conseguirmos outra viatura, neste caso uma 4×4, por causa da orografia do distrito onde estamos inseridos. É uma vantagem em termos de mobilidade ao nível dos desaparecimentos. Queremos sempre crescer mais, mas temos de olhar para a questão monetária. Não posso dizer que temos muitas dificuldades, porque as empresas do distrito da Guarda e os nossos sócios, têm ajudado bastante. A população da Guarda tem estado connosco.
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DADOS DE PERFIL:
Nome: Igor Cardoso
Comandante da Unidade Portuguesa de Intervenção e Resgate (UPIR), sedeada na Guarda
Idade: 39 anos
Naturalidade: Castelo Branco
Profissão: Empresário de eventos
Filme preferido: Série “Casa de Papel” e “Código Da Vinci”
Hobbies: Passeios TT e viajar


