Cara a Cara

«A DesActo quer envolver a comunidade nos processos de criação artística»

Escrito por ointerior

P – Como surgiu a ideia de criar a Associação DesActo, e o pretende fazer?
R – A DesActo surgiu como ideia há algum tempo, mas acaba por ser formada na consequência de termos conseguido um apoio da Direção-Geral das Artes para levar a cabo o projeto “SouReal”. Foi a cofundadora da associação, Ana Freire da Silva, quem tomou a iniciativa de iniciar a candidatura do projeto, e sem ela a DesActo não teria descolado. Precisávamos desta estrutura para assumir a parte da gestão e de tudo aquilo que vai envolver o projeto. A ideia vem, basicamente, de uma necessidade que sentimos de promover um espaço, na Guarda, que pudesse servir como plataforma de desenvolvimento não profissional, mas profissionalizante, da atividade cultural e que pudesse servir exatamente para nós, artistas emergentes, e para outros que se venham a juntar ao longo do caminho, para que possam ter essa plataforma de fixação e de alguma estabilidade para desenvolver esta esta atividade. Ao mesmo tempo, a DesActo surge também com um sentido e uma vontade muito grande de envolver a comunidade nos processos de criação artística. Ou seja, não queremos esta associação como algo estanque, mas sim como algo que é permeável aos mais diferentes modos de pensar e estar.

P – Onde está situada a DesActo, e quem tiver interesse em se juntar ou visitar como pode fazê-lo?
R – Em termos concretos, ainda não temos um espaço físico, uma sala onde podemos desenvolver a nossa atividade. Então, quando me refiro à associação como um “espaço”, é no sentido de espaço de encontro, como um ponto de encontro. Neste momento, já estamos em conversações com um particular, na Guarda, para conseguir uma sala para desenvolvermos uma primeira oficina, eventualmente de teatro, expressão artística e de movimento na área da dança. Temos uma sede legal, obviamente, mas ainda não temos um espaço que possamos dizer que “é o sítio onde trabalhamos”.

P – Quando esperam ter esse espaço para avançar com as oficinas já pensadas?
R – Temos a perspetiva de, no início de 2026, termos já firmado um protocolo com este particular que nos permita desenvolver as oficinas. Daqui a um ou dois meses teremos, certamente, mais notícias sobre isso. No entanto, isso não nos impede de já ter atividades programadas e algumas oficinas marcadas no âmbito do projeto “SouReal”. As oficinas vão decorrer na Guarda, Gouveia, Manteigas e no futuro, eventualmente, Seia e Covilhã.

P – Em que vão consistir as oficinas já agendadas?
R – O projeto “SouReal” tem como propósito final o desenvolvimento de um espetáculo de cruzamento disciplinar entre teatro e dança, que irá estrear em outubro de 2026 no Teatro Municipal da Guarda. Mas o espetáculo é uma segunda fase do projeto. A primeira é ainda uma fase de contacto com o público, com a comunidade. Através da proposta de escrita criativa de movimento livre e de criação visual, vamos interagir com o público de maneira a permeabilizarmos o nosso processo criativo também àquelas que são as perspetivas das pessoas – que vivem nos sítios onde posteriormente o espetáculo será apresentado. O propósito é dar ferramentas nestas áreas da escrita, do movimento e da criação visual, para que as pessoas produzam nestas oficinas um trabalho que é delas, mas que nos servirá como inspiração e como mote para o trabalho que depois começaremos a desenvolver para a segunda fase do projeto – a preparação de um espetáculo.

P – Estamos a falar de oficinas/atividades para qualquer pessoa, de qualquer idade?
R – Exatamente. Todas as oficinas são de participação gratuita, mediante inscrição prévia para sabermos com quantas pessoas podemos contar. São para todas as idades, embora recomendemos que para a oficina de escrita criativa as pessoas tenham mais de 12 anos, por uma questão de que a profundidade dos temas tratados já é um bocadinho mais complexa. No fundo, sim, são para toda a gente que se queira inscrever. Serão bem-vindos. De certeza que encontrará um lugar onde a sua voz poderá ser ouvida e onde poderá expor os seus pontos de vista e criar a partir deles.

P – Já há datas marcadas para estas oficinas?
R – Já temos três datas em dezembro. A primeira já aconteceu, no passado sábado, na Biblioteca de Manteigas, mas repetiremos nos dias 13 e 20 – a primeira edição de todas estas oficinas. Quem estiver interessado pode encontrar os links para inscrição na nossa página de Instagram (@des.acto). Temos também uma primeira data marcada na Guarda para uma oficina de escrita criativa, a 24 de janeiro de 2026, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. Entretanto, estamos a fechar datas para mais duas oficinas de movimento – uma delas, à partida, decorrerá na Vela e a outra no Museu da Guarda.

P – Atualmente quantos associados tem a DesActo?
R – Neste momento somos nove associados, praticamente todos da cidade da Guarda. Ainda estamos numa fase de génese, pelo que o nosso trabalho ainda não é conhecido pelo público para que possamos estar a acolher mais gente.

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