Arquivo

Táctica dá vitória ao líder

Souropires derrotou Gouveia e está mais perto do título

Tarde bonita para a prática do desporto-rei com o público a comparecer em massa no Campo da Recta para uma partida decisiva para Souropires e Gouveia. As duas equipas estavam apenas separadas por dois pontos, contando os serranos com um jogo a menos, a disputar este sábado em casa do Manteigas.

Ambas as equipas entraram em campo a estudar o adversário, num jogo muito calculista e táctico, com marcações homem-a-homem e que nos primeiros minutos conduziu a um futebol empapado e insípido. Só aos 14’, na cobrança de um livre para os da casa, o ambiente desanuviou, com Tiago a rematar forte e Miranda a defender mas a escorregar, contudo, Fernando não acreditou que podia inaugurar o marcador. O Gouveia não se ficou e quatro minutos depois, Rebelo, incansável durante todo o jogo, viu Quim Teixeira desmarcar-se pela esquerda e colocou-lhe a bola nos pés, mas Melo deu uma sapatada no esférico e negou o golo aos visitantes. A partir do minuto 25, o Souropires reagiu e saiu do “casulo táctico” que se impusera, com Marco a rasgar pela esquerda e a colocar a bola em Galhardo, que cabeceou, valendo Miranda, sempre bem, a tocar a bola para fora. Logo depois, Artur, na recepção de um passe de Galhardo, atirou de forma tosca e imperfeita naquele que poderia ter sido o primeiro golo dos locais se tivesse havido discernimento do avançado para aproveitar a saída de Miranda. Mas o golo chegou mesmo aos 35’, quando Artur foi derrubado na grande área por Daniel. O árbitro Renato Gonçalves assinalou a grande penalidade e Tiago, na conversão, fez o primeiro e único golo da partida.

Cinco minutos depois deu-se o caso do jogo. Fernando e Eduardo envolveram-se numa pequena picardia e o árbitro da partida não teve contemplações e expulsou ambos, num critério justo pela igualdade, mas demasiado excessivo em face do sucedido. Antes do final da primeira parte os locais, por intermédio de Tiago, irrepreensível durante toda partida, ainda obrigaram Miranda a nova defesa. Na etapa complementar, o Gouveia apareceu em campo mais ofensivo graças às entradas de Rui Ramos e Filipe na procura do golo da igualdade. O que esteve perto de acontecer na cobrança de um livre. Rebelo colocou a bola em Branquinho, mas este não acreditou e rematou frouxo. Paulo Baptista sentiu o perigo e trocou Artur por Tó Luís, procurando alguém que viesse atrás buscar e distribuir o jogo sem perder qualidades ofensivas. Aos 58’, Paulo Alves foi derrubado por Quim Teixeira quando seguia isolado à entrada da grande área, lesionando-se com alguma gravidade. Renato Gonçalves “não quis” ver o lance (Quim já tinha um amarelo) e, na cobrança, Tiago rematou fraco e permitiu a defesa tranquila de Miranda.

Mesmo em cima dos 90, Pedro Ferreira esteve perto de fazer a igualdade na cobrança de um livre, mas valeu a veterania de Melo que, saltando, agarrou a redondinha. Foi um bom jogo de futebol e decisivo para as ambições das duas equipas. No final, Francisco Cipriano, técnico do Gouveia, alertou para a «dualidade de critérios» da arbitragem e para os «resultados feitos», naquilo que considerou ser uma «perseguição ao Gouveia». Já Paulo Baptista, doseando as expectativas, afirmou que os próximos jogos são «complicados e que ainda há muito campeonato pela frente», desvalorizando as críticas do adversário. Trabalho razoável de Renato Gonçalves no plano técnico, mau no plano disciplinar, não entendendo a necessidade de fazer pedagogia ao preferir uma atitude de “carrasco”, prejudicando o jogo e o espectáculo.

Amadeu Araújo/www.radioelmo.com

Sobre o autor

Deixe comentário