Imaginemos um tipo que tem talento e encontra as pessoas certas para se revelar. De que precisa? Primeiro de liberdade por parte da liderança, depois de criatividade. Há características inatas e outras da circunstância. Depois carece de uma massa crítica que vem do conhecimento e da exposição aos que na mesma área fazem trabalhos semelhantes. Se não aprendemos a base, se não dominamos as técnicas, ficamos limitados. A exposição significa ver muito, pesquisar bastante, ler, ver, ouvir. Aqui chega a sorte. A sorte de estar no lugar certo, ter amigos que nos empurram e projetam. Não há sucesso sem tudo isto. A salada russa do sucesso é o lugar certo, o talento que não desilude, a qualidade que surpreende, a circunstância que se agrada, os amigos que não rejeitam. Encontrei isto tudo em James Ford que produziu Alex Turner. Estou a falar dos discos de Arctic Monkeys (uma surpresa desde 2013) e The Last Shadow Puppets (experiências fascinantes) e agora dos The Foal (que explosão de sensações). Pelo caminho curto há um disco de Mumford & Sons e o sucesso de Florence and the Machines. Ele é James Ford que tem um projeto pouco internacionalizado de : Simian Mobile Disco, Temporary Pleasure. Estas sequências de grande êxito são impossíveis se o criador de ondas, a indústria fonográfica e a rádio não lhes são favoráveis. A música é como um tacho enorme onde inúmeros sabores se cozem e borbulham à procura daquele que será a marca de paladar. James Ford é como o caril num arroz – sabemos que está ali – que marca a comida que temos no prato. Este vem na linha de Trevor Horn, nos anos 80, que produziu Frankie Goes to Hollywood e Seal.
Por: Diogo Cabrita


