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Junta de S. Pedro em gestão corrente

Partidos mais votados na freguesia da “cidade-jardim” não se entendem quanto à formação do executivo

A Junta de Freguesia de S. Pedro, em Gouveia, está em gestão corrente por falta de acordo entre os partidos mais votados para formar o executivo. O PS ganhou as eleições de 9 de Outubro com mais 104 votos que o PSD, enquanto a CDU conquistou um lugar na Assembleia. Contudo, estes resultados não foram suficientes para facilitar a escolha do elenco da Junta, dado que os eleitos não se entendem quanto à sua constituição.

Em comunicado, a CDU, que elegeu Carlos Nabais, responsabiliza João Amaro, o presidente, pela situação, acusando-o de «intransigência e obstinação» por não querer incluir representantes dos três partidos. Para os comunistas, essa é a leitura a retirar das autárquicas: «Os eleitores querem ver constituído um órgão tripartido, para somar capacidades e competências e garantir o seu funcionamento plural e activo», defendem. Dizendo que a Junta não pode continuar assim, a CDU reclama a nomeação de uma comissão administrativa para gerir a autarquia até novas eleições. «Se a intenção é manter tudo como está, a lei obriga a que se comunique à Câmara a impossibilidade de constituição do órgão», lembram. «Isso queriam eles», responde João Amaro, antigo chefe de gabinete de Santinho Pacheco, antecessor de Álvaro Amaro na Câmara. O presidente recorda ter sugerido integrar um elemento do PSD no executivo, mas a proposta foi derrotada na Assembleia de Freguesia, constituída por nove deputados (4 do PS, 4 do PSD e um da CDU).

«Há uma aliança contra-natura do PSD e da CDU para tirar o PS da Junta», acredita, ao recordar que os socialistas têm uma «maioria clara» e não abdicam dela. «É descabido um presidente ficar em minoria após ganhar as eleições. Fui eleito para cumprir o meu programa e não o do PSD ou da CDU», esclarece. Entretanto, já foram pedidos vários pareceres para ajudar a encontrar uma solução para este impasse, cujo teor será comunicado numa nova Assembleia de Freguesia a convocar para os próximos dias. «Mas também quero saber se eles mantêm a mesma posição ou me deixam governar», acrescenta João Amaro. Caso contrário, devolve as acusações e garante que se persistir a «intransigência» daqueles dois partidos não restará outra alternativa aos socialistas que a demissão. «Mas só daqui a seis meses, para evitar que eles tomem conta da comissão administrativa», refere. Até lá, a Junta de S. Pedro está impedida de fazer quaisquer despesas ou lançar projectos, tendo mesmo sido impossível fazer a passagem da titularidade das contas da autarquia dos anteriores para os eleitos de 9 de Outubro.

Luis Martins

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