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Ex-gerente do Totta em Seia extraditado

Camilo Coelho tinha fugido para o Brasil em 2003 por suspeita de ter desviado 10 milhões de euros das contas de clientes

O antigo gerente do Totta & Açores de Seia, acusado de ter burlado o banco em cerca de 10 milhões de euros, vai ser repatriado esta semana do Brasil, para onde fugiu em Setembro de 2003 pouco antes do desfalque ter sido descoberto. Camilo Coelho incorre numa pena de 12 anos de prisão por fraude, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro, refere o pedido de extradição emitido pelas autoridades portuguesas, citado pelo diário “Correio da Manhã” da última terça-feira.

Como “O Interior” noticiou na altura, a instituição bancária apresentou de imediato uma queixa-crime contra o funcionário, enquanto a sua moradia, os automóveis, um apartamento e diversas contas bancárias foram arrestados para garantir o pagamento do montante alegadamente desviado. O desfalque tinha sido confirmado por uma inspecção da instituição bancária à dependência senense. Em consequência desta sindicância, o gerente terá sido demitido de funções e desapareceu literalmente da cidade no início de Setembro, deixando a família para trás. Os lesados foram alguns clientes de cujas contas bancárias desapareceram quantias várias que totalizam os 10 milhões de euros. Na altura, o Totta & Açores confirmou a «existência de algumas irregularidades praticadas em interesse próprio pelo ex-gerente do balcão em Seia». E garantiu a reposição dos valores desaparecidos das contas dos seus clientes, esclarecendo que os montantes seriam restituídos nas situações «onde não houvesse dúvidas». O que provocou uma corrida à agência senense, onde centenas de clientes alarmados foram informados de que o dinheiro seria restituído desde que possuíssem provas dos depósitos e transacções.

De acordo com alguns dos lesados então citados por “O Interior”, o esquema de desvio de dinheiro terá tido início em 2000, altura em que Camilo Coelho passou a ser responsável pelo balcão de Seia, vindo da Covilhã. «O esquema era simples: eram abordados os clientes com elevadas quantias à ordem ou a prazo, sendo incentivados a aplicar o dinheiro noutros produtos que o banco geria no estrangeiro. Depois desviava-o para a sua conta», revelaram. O ex-bancário foi detido na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro, em Agosto de 2004, após a Judiciária ter emitido um mandado de detenção internacional. Camilo Coelho preparava-se para casar, o que lhe garantia alguma tranquilidade, já que a legislação não permitia a extradição de cidadãos brasileiros ou casados com brasileiros. Ficou detido na prisão de Ary Franco até à extradição, que só deve acontecer por estes dias porque o Supremo Tribunal Federal não aceitou, na semana passada, o pedido de renúncia à extradição interposto pelo seu advogado. De acordo com o “Correio da Manhã”, o argumento invocado era a «ausência de provas da sua participação nos delitos examinados».

Luis Martins

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