O empresário António Lopes, da AHL Imobiliária, deverá comprar os dois imóveis que a Associação Cristã da Mocidade (ACM) da Beira Interior colocou à venda em Agosto passado para sanar as suas dificuldades financeiras.
A informação foi confirmada a “O Interior” pelo empresário, havendo já um «contrato promessa» para a aquisição do pavilhão gimnodesportivo, ainda inacabado, e o espaço de 22 mil metros do antigo Colégio de Educação Especial, na Quinta da Várzea. A escritura da venda deverá ser feita «dentro de dois ou três meses», apontou António Lopes, que preferiu não especificar o montante envolvido. «Ainda estamos em negociações», explicou, adiantando, no entanto, que os valores deverão estar «um pouco acima» dos 600 mil euros. Os terrenos destinar-se-ão à construção de habitação, «tal como está previsto no PDM», mas só quando o negócio estiver fechado é que se saberá concretamente o que se poderá construir no local e o destino a dar aos edifícios existentes. Este é o mais recente investimento do empresário na Covilhã. Recorde-se que António Lopes é também proprietário da trutaria do Paul, da Garagem de S. João (que pretende recuperar para o transformar num complexo habitacional e comercial), da Fiper e do bar Armazém, entre outros empreendimentos.
Recorde-se que a venda do património que não estava a ser utilizado foi decidido em Agosto de 2005 pelos órgãos sociais daquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) para resolver um passivo de 500 mil euros. Tudo para evitar o colapso da ACM, vocacionada para o acompanhamento e tratamento de deficientes, visto que se encontravam em falta o pagamento dos salários aos 60 funcionários e das bolsas aos formandos dos cursos de formação profissional. Os problemas financeiros complicaram-se em Março de 2004, quando o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) deixou de enviar verbas destinadas à formação profissional e também devido ao encerramento do Colégio em Setembro desse ano, por falta de alunos. A ACM da Beira Interior abarca a Comunidade Terapêutica de Montanha para Toxicodependentes, o Centro de Emprego Protegido para Deficientes, Formação Profissional, um Centro de Apoio Ocupacional, destinado a deficientes profundos, e o Lar Residencial, onde vivem permanentemente deficientes adultos. Possui também um posto de abastecimento de combustível no eixo TCT, já concessionado à Alves Bandeira. Um património imobilizado que ronda os 12,5 milhões de euros. “O Interior” tentou contactar os responsáveis pela ACM, mas estes preferiram não comentar a proposta de António Lopes.
Liliana Correia



