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Crise contribui para aumento do cultivo de cannabis no distrito

Apreensões desta droga “leve” por parte da GNR mais que duplicaram só este ano

«A crise económica chega a todo o lado e também, provavelmente, os pequenos traficantes, cultivando, conseguem lucros maiores». Esta é a convicção do responsável pela investigação criminal do comando territorial da GNR da Guarda quando confrontado com o aumento da apreensão de cannabis no distrito.

De facto, desde o início do ano até à passada sexta-feira, foram apreendidas 69 plantas, 204 gramas de folhas secas e 82 sementes, fruto de oito acções, das quais resultaram nove detidos. Por oposição, em todo o ano de 2008, foram apreendidas 33 plantas e 11 gramas de folhas secas, tendo sido identificados dois indivíduos e nenhum detido. «Houve um aumento para mais do dobro», constata o major Cunha Rasteiro, adiantando que «é complicado quantificar as plantas em termos de quilos, porque são variáveis e tanto apreendemos plantas com meio metro, como outras com três metros de altura». A explicação para esta subida substancial da apreensão de cannabis no distrito da Guarda está relacionada com o «aumento da investigação da GNR para este problema», na medida em que «muitos destes produtores cultivam para tráfico local, outros apenas para uso doméstico».

Por outro lado, também se verifica «uma alteração dos hábitos» entre os mais jovens. «Nota-se que as pessoas estão a consumir mais este tipo de droga, que é mais barata e está ao alcance de todos. Além de ser uma planta que se dá facilmente em qualquer região do país, desde que seja regada e que tenha um pouco de sol», sublinha Cunha Rasteiro. De resto, o «dinheiro fácil» que a «muita procura» deste produto suscita, principalmente entre os mais jovens, faz com que «muita gente se sinta atraída» por este modo de conseguir dinheiro. Isto sucede com maior incidência com os «consumidores/traficantes que vêm aí uma forma mais fácil de obter algum dinheiro», ou mesmo para «consumo próprio, porque como não têm dinheiro para adquirir no mercado, cultivam para uso doméstico», sublinha.

O oficial salienta que as apreensões efectuadas este ano corresponderam sempre a indivíduos detidos, resultado de «um apurado trabalho de investigação e, muitas vezes, de espera no local de controlo para se poder apanhar o flagrante delito». É que «se não for assim, não é fácil fazer depois a ligação entre as plantas e o indivíduo que está a ser investigado. Muitas vezes, a plantação é feita em baldios e a prova é muito mais difícil», adianta Cunha Rasteiro. Foi uma situação semelhante a esta que parece ter acontecido na semana passada, numa quinta do concelho de Seia, onde a GNR apreendeu 20 plantas de cannabis, com um peso total de mais de 4,5 quilos. Naquela que foi a maior apreensão efectuada este ano, com plantas que tinham cerca de dois a três metros de altura, foi identificado o proprietário, um homem de 67 anos, que, «em princípio, nada tem a ver com a plantação». Nem relações de parentesco parecem existir, adianta o major, frisando que se trata de «indivíduos que habitam nas proximidades e que teriam a plantação num local ermo e escondido».

De realçar que o aumento de pessoas a cultivar acompanha a tendência verificada a nível nacional, sublinha. Nas oito acções efectuadas este ano, os concelhos de Seia e de Figueira de Castelo Rodrigo registaram duas cada, enquanto na Mêda, Aguiar da Beira, Sabugal e Almeida registou-se uma.

Ricardo Cordeiro Plantas apreendidas na semana passada em Seia tinham entre dois a três metros de altura

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