“Nós também merecemos um quartel” é o lema da campanha dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves pela construção de novas instalações. A iniciativa arrancou na semana passada e é visível nas viaturas daquela corporação do concelho de Trancoso, onde foram afixadas imagens das «péssimas» condições do actual quartel.
«Há mais de 10 anos que estamos neste quartel improvisado e com péssimas condições», adianta Rogério Castela, comandante dos voluntários vilafranquenses, que, em 1992, quando ainda eram uma secção dos bombeiros de Trancoso, ocuparam um primeiro armazém. Seis anos mais tarde, quando a corporação foi homologada, passaram a ocupar um segundo armazém. No âmbito desta campanha, a Associação Humanitária enviou ainda vários e-mails com as fotografias do quartel e um pequeno texto explicativo, pedindo o seu reenvio para o primeiro-ministro, o ministro da Administração Interna, a Governadora Civil da Guarda, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS). O comandante espera, desta forma, chamar a atenção das entidades competentes para a necessidade de novas instalações. «Nos últimos seis meses temos convidado um conjunto de entidades para visitar as nossas instalações e, embora todas tenham respondidos afirmativamente, o facto é que ainda ninguém nos visitou», lamenta.
O actual quartel possui uma camarata feminina e outra masculina, «mas não temos qualquer privacidade, pois, quando abrimos a porta, quem vai na rua vê tudo o que se passa no interior», afirma Rogério Castela, sublinhando que também a pequena sala de comunicações não tem nenhum conforto. «É um sacrifício trabalhar nestas condições», garante, lembrando que último Inverno «chovia cá dentro como na rua». Para aquele responsável, com as actuais instalações, a Associação Humanitária de Vila Franca das Naves não conseguirá atrair mais voluntários, isto porque «o quartel não é apetecível para trabalhar e qualquer jovem que aqui chegue vai preferir estar em casa», salienta. Rogério Castela recorda ainda que esta situação não é nova, pois o novo quartel é desejado desde que a corporação foi homologada. Para tal, foi mesmo adquirido um terreno, elaborado «e pago» o respectivo projecto de arquitectura, faltando apenas «a decisão política do Governo», refere. Orçada em cerca de 700 mil euros, a obra foi aprovada pela anterior direcção da ANPC, aguardando-se, no entanto, o aval definitivo do poder central.
A corporação conta actualmente com 75 bombeiros voluntários e dispõe de três ambulâncias, um veículo de comando e cinco viaturas de combate a incêndios. «Também temos carências de meios de intervenção, mas, neste momento, o que mais nos preocupa é a construção de um novo quartel», reitera o comandante. A área operacional da corporação abrange as freguesias de Vila Franca das Naves, Granja, Moimentinha, Póvoa do Concelho, Feital e Vilares.
Tânia Santos


