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“Bebés Perfeitos”

mitocôndrias e quasares

E se de repente alguém lhe dissesse que é possível decidir quais as características físicas dos seus futuros filhos?

Com certeza que iria considerar esta proposta um pouco estranha, mas na realidade é isto que um conjunto de cientistas se propõem realizar, procurando criar um bebé perfeito, sem deixar a saúde ou o sexo do bebé “ao acaso”.

Hoje em dia, a fertilização in vitro (FIV), permite decidir o sexo de um embrião, utilizando um dos dois seguintes métodos. O primeiro consiste num rastreio de uma amostra, com o intuito de o fertilizar o ovo apenas com um espermatozóide “masculino” ou com um espermatozóide “feminino”. O segundo método é o diagnóstico genético pré-implantação (PGD) que permite fazer o rastreio de embriões que poderão vir a sofrer de doenças genéticas, e simultaneamente, verificar o sexo do bebé. O PGD é efectuado durante a FIV, quando o ovo é fertilizado pelo espermatozóide em laboratório. O ovo fertilizado desenvolve-se durante alguns dias antes de lhe ser retirada uma célula, onde vai realizado o rastreio.

A determinação do sexo do bebé é fundamental no caso de doenças genéticas, uma vez que só existem doenças que se desenvolvem em bebés do sexo masculino, como é o caso da hemofilia ou da distrofia muscular de Duchenne.

É neste ponto que surgem as questões éticas, uma vez que em caso de historial familiar dos pais, de doenças relacionadas com o sexo masculino, podem ser rejeitados os embriões do sexo masculino com malformações e implantado um embrião do sexo feminino no útero da mãe para que esta possa gerar um bebé saudável.

Será ético rejeitar um embrião em detrimento de outro? Teremos o direito de tomar esta decisão? O debate está lançado…

Recentemente fizeram-se grandes avanços no conhecimento sobre o genoma humano e sobre a nossa capacidade de modificar os genes, pelo que têm surgido possibilidades de no futuro poderá ser possível criar realmente “bebés à medida”, passando do nível do mero diagnóstico de doenças para um nível mais activo de escolhas de outras características, como por exemplo a altura, a cor dos olhos, a aparência facial e, quem sabe, o tipo de inteligência e de personalidade.

Por outro lado existe uma outra linha de investigação paralela a esta e que vai poder vir a corrigir em laboratório embriões portadores de doenças genéticas ou com deficiências através da substituição de secções de ADN deficiente por ADN saudável.

Esta outra técnica, designada terapia genética na linha germinal, é efectuada num ovo, espermatozóide ou num pequeno embrião fertilizado. Tem sido realizada com sucesso em embriões animais, mas, de momento, a sua utilização é ilegal em humanos.

Uma terapia que existe dentro da legalidade é a terapia genética na linha somática que permite modificar os genes mal-formados nas células de uma criança já crescida ou de um adulto para curar doenças como a fibrose cística.

Todas estas novas terapias têm a sua fronteira de investigação em questões bioéticas que levantam, principalmente grandes questões morais e religiosas, que terão necessariamente de ser debatidas, com o consequente enquadramento legal, com o objectivo de clarificar todo este novo mundo.

Por: António Costa

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