Álvaro Amaro, presidente da Distrital do PSD, ficou «ofendido» com a escolha de Francisco Assis para encabeçar a lista do PS às legislativas. O fórum autárquico “Falar Verdade”, que decorreu no sábado no salão de festas da Junta de Freguesia do Sabugal, ficou marcado pela ausência da líder social-democrata Manuela Ferreira Leite por estar engripada, tendo sido substituída pelo vice-presidente Paulo Mota Pinto. Quem também não compareceu foram os candidatos às Câmaras de Aguiar da Beira, Guarda e Manteigas, mas todos por razões «justificadas».
O dirigente nacional do PSD fez questão de garantir às centenas de pessoas presentes que a ausência de Ferreira Leite se ficou a dever a uma «gripe passageira, que não é gripe A», até porque o «único vírus que queremos transmitir é o da determinação para vencer as próximas autárquicas e legislativas». Em relação a estas últimas, Paulo Mota Pinto criticou que «muitas das escolhas» do PS para as suas listas «são marcadas por candidatos que não têm ligações nenhumas aos distritos pelos quais se candidatam». São «os conhecidos pára-quedistas», reforçando que a candidatura de Francisco Assis «parece que é claro que é um desses casos». Quando relembrado pelos jornalistas de que o PSD apresentou há quatro anos Miguel Frasquilho, que não é militante no distrito, Paulo Mota Pinto reconheceu que isso «aconteceu noutras eleições com o PSD nalguns sítios, mas é uma prática que na medida do possível deve ser evitada».
Quanto à apresentação das listas definitivas do partido “laranja” explicou que «é um processo que depende de algumas variáveis e ainda não está marcada». O responsável defendeu que o PS, em vez de ter apresentado o seu programa eleitoral, devia «mostrar» aos portugueses «o que conseguiu cumprir» na actual legislatura, considerando que há «promessas novamente reeditadas». Sobre o programa eleitoral do PSD, indicou que «estará terminado antes do final do mês, mas só será apresentado publicamente na segunda metade de Agosto». Durante a intervenção proferida na sessão de encerramento da actividade partidária, maioritariamente dirigida para temas nacionais, o dirigente sustentou que «só o PSD pode retirar o PS do poder». Paulo Mota Pinto considerou que o seu partido tem um papel «único e insubstituível», considerando que os últimos anos foram de «endividamento crescente» e pautados por «graves erros políticos», acusando José Sócrates de ter «enganado repetidamente os portugueses» em vários pontos como, por exemplo, na «promessa dos 150 mil empregos». O dirigente assumiu ainda que o PSD «tem um firme compromisso com a defesa dos interesses do interior e de tentar corrigir os custos da interioridade».
Também Álvaro Amaro não poupou críticas à governação socialista, bem como à indicação de Francisco Assis: «Respeito as decisões socialistas, estão no seu pleno direito, mas como presidente da Distrital do PSD da Guarda sinto-me ofendido. Esta é a política velha, é a maneira de dizerem que vocês aí não percebem nada disto, não têm gente em condições, lá vai um daqui do norte…», disparou num tom empolgado. De resto, pediu a Paulo Mota Pinto para que levasse a mensagem a Ferreira Leite de que «alguma coisa faria» caso o PSD quisesse impor algum nome nacional para as listas da Guarda, embora não lhe passe «pela cabeça» que alguém o «ofenda como dirigente distrital do partido». O também candidato à Câmara de Gouveia considerou que «o país não pode viver a velocidades diferentes», recusando-se a ser tratado como um município «desfavorecido». «Queremos é soluções diferentes e uma discriminação positiva. Exigimos recuperar o tempo que a democracia nos tem feito perder», garantindo que a líder do partido terá o apoio dos militantes da Guarda para a eleger como primeiro-ministro.
Ricardo Cordeiro



