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O segredo do Cabeço das Fráguas à disposição de todos

Cópia da inscrição rupestre que intrigou curiosos e estudiosos estará patente no Museu da Guarda em 2010

A mítica inscrição rupestre do Cabeço das Fráguas, nos limites dos concelhos da Guarda e Sabugal, vai ficar acessível ao público, em 2010, graças a uma reprodução à escala natural da laje onde se descreve a oferenda de animais a diversas divindades. Na passada quarta-feira, uma empresa especializada de Coimbra fez um levantamento digital em três dimensões que dará origem ao molde do achado.

O resultado será o principal atractivo do futuro núcleo dedicado ao Cabeço das Fráguas no Museu da Guarda, que também vai expor várias peças em bronze e ferro, bem como objectos de cerâmica, que têm vindo a ser descobertos no local por uma equipa de arqueólogos desde 2006. Esse material está actualmente a ser trabalhado pelo Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, com vista à sua musealização. De resto, as sucessivas campanhas de escavação, da responsabilidade do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid, em colaboração com o museu guardense e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, resultaram já num pedido de classificação do sítio como Monumento Nacional, apresentado ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) há ano e meio. O trabalho da equipa de arqueólogos luso-alemães, liderada por Thomas Schattner, tem como objectivo compreender o nível de ocupação do antigo santuário e sua envolvente.

«Há vestígios de construções junto à inscrição e sabemos que o local era habitado. Também temos quase a certeza de que seria um santuário importante na região entre o século VIº a.C. e o século Iº d.C., altura em que entrou em declínio», referiu o arqueólogo do Instituto Alemão de Madrid. Situado a cerca de 1.020 metros de altitude, o sítio ganhou notoriedade com a descoberta, em 1943, da inscrição rupestre pelo general João de Almeida, posteriormente publicada e divulgada por Adriano Vasco Rodrigues numa monografia de 1956. Depois de intrigar curiosos e estudiosos, o achado é hoje famoso no meio científico europeu, sendo similar a outro existente na zona de Cáceres (Espanha). «Esta inscrição, que descreve a oferenda de vários animais a diversas divindades, conjuga no mesmo texto o alfabeto latino e a chamada língua lusitana, falada em época pré-romana em praticamente todo o Ocidente hispânico», adianta o Museu da Guarda.

Para Dulce Helena Borges, directora do Museu da Guarda, a execução do molde desta inscrição única é «uma medida de salvaguarda de um meio patrimonial em risco, mas também a forma mais prática de a tornar acessível ao público em geral e aos estudiosos». Reproduzida graças à tecnologia do “laserscan”, a cópia será processada por especialistas da Universidade Técnica de Berlim para ser incorporada na exposição permanente do museu. «A apresentação ao público acontecerá no âmbito de uma exposição e de um colóquio temáticos sobre o Cabeço das Fráguas», previstos para a Primavera de 2010», acrescentou a responsável. O inédito desta operação é que os custos da concepção do molde, cerca de cinco mil euros, serão assumidos na sua totalidade pelo Grupo dos Amigos do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid e pela firma Noraktrad, do Grupo Norak, sediada na capital espanhola.

Luis Martins Sítio já foi proposto para classificação como Monumento Nacional

Comentários dos nossos leitores
Rosa Ramosrosa.ramos@ionline.pt
Comentário:
Grande fotografia, a da primeira página desta semana! Parabéns!
 

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