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«Portugal aplicou obedientemente a austeridade, mas tem mais pobres»

O Nobel da Economia Paul Krugman arrasa as políticas de austeridade implementadas na Europa, que, na sua opinião, provou ser um «desastre» numa série de países.

O Nobel da Economia defende num artigo publicado no jornal “New York Times”, e citado pelo “Diário Económico”, que se o “não” ganhar no referendo grego o país enfrenta ameaças no curto prazo com a saída do euro, mas ganhará uma hipótese real de recuperação.

Embora as atenções internacionais estejam colocadas na Grécia, devido ao referendo que irá realizar-se no domingo, o economista norte-americano chama a atenção para o que se passa em muitos outros países da Zona Euro. Para Paul Krugman se ganhar o “sim”, os gregos estarão a dar «poder e coragem aos arquitetos do falhanço da Europa». «Os credores já demostraram a sua força e capacidade de humilhar quem desafiar as suas exigências de austeridade sem fim. E vão continuar a reclamar que impor desemprego em massa é o único caminho responsável», salienta o Nobel da Economia.

Se o “não” sair vitorioso, Krugman acredita que a Grécia enfrenta um período «assustador e terreno desconhecido» e pode ter que sair do euro. Contudo, para o economista, este cenário «oferece à Grécia uma hipótese real de recuperação» e será um «choque para a complacência das elites europeias». E dá o exemplo da Finlândia, ironizando que esse país «não poderia ser mais diferente dos corruptos e irresponsáveis» países do Sul da Europa.

Na sua opinião, a Finlândia é um «modelo de sociedade europeia, com um governo honesto, finanças públicas sólidas, rating sólido e que consegue financiar-se nos mercados a taxas incrivelmente reduzidas». No entanto, assinala que oito anos de crise económica na Finlândia fizeram com que o PIB “per capita” baixasse em 10 por cento e «não há sinais de que pare por aqui».

«Se não fosse a crise no sul, a Finlândia poderia muito bem ser vista como o desastre épico europeu», afirma Krugman, segundo o qual a Finlândia não está sozinha na galeria dos «desastres europeus», onde se encontram também outros países do Norte da Europa, como a Dinamarca – que segundo ele «não está no euro mas age como se estivesse» – e a Holanda.

No caso dos países do Sul da Europa, o economista defende que os responsáveis europeus estão a vender a recuperação espanhola como um sucesso, mas o país tem uma «taxa de desemprego de quase 23 por cento e o PIB per capita está ainda 7 por cento abaixo dos níveis pré-crise».

Sobre Portugal, Krugman sublinha que o país «também implementou obedientemente duras medidas de austeridade e está agora 6 por cento mais pobre do que antes». O economista norte-americano defende que todas estas economias mencionadas têm em comum o facto de estarem no euro, o que as colocou num «colete de forças».

Paul Krugman foi sempre crítico na criação da moeda única, mas «tal não quer dizer que seja altura de acabar com o euro. O que é urgente é aliviar o colete de forças», escreve no artigo publicado pelo “New York Times” na sexta-feira, onde apela aos gregos para votar “não”. «É razoável temer as consequências de um voto no “não”, porque ninguém sabe o que virá a seguir. Mas deverá temer ainda mais as consequências de um voto no “sim”, pois nesse caso já sabemos o que virá a seguir – mais austeridade, mais desastres e eventualmente uma crise muito pior do que algo que já tenhamos visto até agora», avisa o Nobel.

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