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E agora Europa?

Hoje, começam uma série de contactos entre as autoridades gregas e a UE após a vitória do “não” no referendo de ontem na Grécia.

«A democracia não pode ser chantageada». Foi assim que o primeiro-ministro grego se dirigiu ao país, ontem, no seu primeiro discurso depois de ser conhecido o resultado do referendo que ele próprio convocou, há pouco mais de uma semana: 61 por cento a favor do “não”, que foi a hipótese mais votada em todas as divisões eleitorais do país.

A posição defendida por Alexis Tsipras e por todo o Governo grego conseguiu uma vitória esmagadora que não deixa margem para dúvidas sobre quem os gregos querem a conduzir os seus destinos: o Syriza de Tsipras e a sua estratégia de reduzir a austeridade e exigir uma renegociação da dívida.

Esse foi um dos pontos frisados por Tsipras neste discurso, onde declarou que a prioridade do Executivo é agora «restaurar a funcionalidade do sistema bancário e a estabilidade económica». O primeiro-ministro prometeu que irá prosseguir as negociações e que levará para cima da mesa a questão da reestruturação da dívida. Esse foi um ponto levantado por um dos credores, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a poucos dias do referendo, o que pode ter ajudado o “não” a ganhar fôlego.

A vitória do “não” é um voto de confiança ao Governo de Tsipras e um sinal claro dos gregos às lideranças europeias de que não estão dispostos a aceitar mais cedências. Nas ruas de Atenas, o ambiente era de festa: «Nasce finalmente um novo dia», dizia o grego Christos ao Expresso na capital grega, esta noite. É apenas um dos milhares de desempregados do país, onde cerca de um quarto da população não consegue encontrar trabalho.

A situação é especialmente grave entre os gregos mais jovens, onde o desemprego chega aos 50 por cento. Esse é um fator que pode ter contribuído para a opção mais sonora pelo “não” entre as camadas mais jovens – segundo números avançados pelo analista grego Yannis Koutsomitis, o “oxi” era bem mais popular entre a juventude (67 por cento) do que entre os mais velhos (37 por cento).

Entretanto, o ministro das Finanças Yanis Varoufakis demitiu-se e não está ainda claro quem o poderá substituir. Para já, várias fontes consideram que poderá vir a ser alguém que já participou noutras conversações, como o principal negociador em Bruxelas, Euclid Tsakalotos.

Este professor de Economia é ministro adjunto para as relações económicas internacionais no ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo Tsipras e a 27 de abril, foi nomeado coordenador da equipa de negociadores gregos.

Hoje, começam uma série de contactos entre as autoridades gregas e a UE. O presidente da Comissão Jean-Claude Juncker, o presidente do Eurogrupo Dijsselbloem e Tsipras devem voltar a reunir-se nos próximos dias para superar o desacordo, mas nada ainda foi confirmado.

Esta noite, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande encontrar-se-ão em Paris para discutir a situação na Grécia. Para amanhã está já convocada uma cimeira dos chefes de Estado e de Governo da zona euro. Antes, deverá reunir-se o Eurogrupo. Mas a decisão crucial será a que será tomada pelo Banco Central Europeu, de quem depende fornecer liquidez aos bancos gregos.

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