O Governo veio à Guarda, mas nada decidiu para ou sobre a Guarda. Quanto muito, levou várias reivindicações do presidente da Câmara, que defendeu a concretização do IC7 e a definição de «um calendário e financiamento» para a segunda fase das obras do Hospital Sousa Martins.
Estes e outros «temas prioritários» para a cidade e região foram apresentados por Sérgio Costa, na quinta-feira, na receção ao executivo de Luís Montenegro, nos Paços do Concelho, onde decorreu o Conselho de Ministros. «A realização desta reunião do executivo governamental na cidade mais alta constitui um importante reconhecimento da centralidade estratégica do território e uma oportunidade para colocar na agenda nacional diversos projetos estruturantes para o concelho e para a região», sustentou Sérgio Costa, citado num comunicado enviado a O INTERIOR. Os assuntos apresentados assentam «na competitividade económica, na valorização do território, na qualificação dos serviços públicos e na melhoria da qualidade de vida das populações».
O autarca voltou a reivindicar a concretização do Itinerário Complementar (IC) 7, entre Seia e Coimbra, considerando que proporcionará uma «ligação segura entre Guarda e Coimbra». Sérgio Costa reclamou também «um calendário e financiamento» para a segunda fase das obras do Hospital Sousa Martins, na cidade. Trata-se da requalificação dos pavilhões Rainha Dona Amélia e António Lencastre, edifícios históricos do antigo sanatório atualmente devolutos, e do Pavilhão Número 1, também conhecido por “comboio” devido à sua forma alongada, que tem mais de 70 anos. No domínio da economia, o autarca defendeu a instalação na Guarda de uma das sete grandes áreas nacionais de acolhimento empresarial. Segundo Sérgio Costa, o concelho tem «vantagens competitivas», como a «localização privilegiada, a capacidade disponível para expansão industrial e logística, a ligação a duas autoestradas [A25 e A23] e às linhas férreas das beiras Baixa e Alta, o Porto Seco da Guarda e a forte dinâmica de exportação registada nos últimos anos».
O presidente da Câmara da Guarda aproveitou também a oportunidade para exigir a «implementação integral» do Plano de Revitalização de Parque Natural da Serra da Estrela. «Atendendo ao prazo de 48 meses previsto para a sua execução, é necessário garantir desde já os mecanismos financeiros que permitam cumprir integralmente os seus objetivos para a recuperação, valorização e desenvolvimento do território», desafiou. Sérgio Costa reivindicou ainda o reforço dos programas de habitação acessível para além do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), dado que o concurso para as primeiras 26 casas disponibilizadas fechou a 30 de setembro com 226 candidaturas. A evolução da Universidade Politécnica da Guarda para «universidade de pleno direito» e a construção de um novo estabelecimento prisional de média-grande dimensão na Zona Prisional do Mondego foram outras reivindicações.
Do rol do autarca guardense consta igualmente a falta de «aprovação ministerial necessária» para lançar os concursos das empreitadas das variantes dos Galegos e da Sequeira. «É um investimento de cerca de 20 milhões de euros [ME] fundamental para eliminar as últimas passagens de nível sem guarda existentes na malha urbana e desviar o tráfego pesado do Porto Seco do centro da cidade», justificou. Sérgio Costa também não esqueceu a resolução do litígio que opõe 16 municípios da região à Águas de Portugal. «O processo arrasta-se há cerca de 18 anos e envolve valores na ordem dos 100 milhões de euros, sendo essencial que o Governo continue a acompanhar as negociações em curso e contribua para uma solução equilibrada e definitiva», solicitou. A revisão da Lei das Finanças Locais e do Estatuto dos Eleitos Locais foi outro assunto abordado pelo edil da Guarda.
Autarca da Guarda reivindica segunda fase das obras do hospital da cidade, IC7 e área de acolhimento empresarial
Sérgio Costa apresentou ao Governo rol de «temas prioritários» para o futuro da cidade e da região, entre eles a implementação integral do Plano de Revitalização da Serra da Estrela



