Cara a Cara

«O meu grande sonho é participar na Volta a Portugal, seria a “cereja no topo do bolo”»

Escrito por ointerior

P – Que balanço faz da sua participação no Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela, que terminou no domingo?
R – Acho que o balanço foi bastante positivo, uma vez que só este ano entrei neste mundo competitivo. Até agora só fazia competições amadoras e este ano comecei mais a nível profissional. Só o facto de ter conseguido acabar esta corrida, que foi super dura, com imensa montanha, na nossa região, já foi uma vitória. Terminei em 76º da geral…

P – Essa classificação está dentro daquilo que esperava conseguir ou nem por isso?
R – Sim, o objetivo principal desta minha participação seria, sem dúvida, conseguir terminar porque, como devem imaginar, era uma competição muito dura e, dos cerca de 140 atletas que começaram a corrida, apenas 81 terminaram. Portanto, ter conseguido chegar ao fim já foi, sem dúvida, uma excelente vitória.

P – E como é que Bruno Maceiras entra no ciclismo?
R – É engraçado, porque eu só comecei no ciclismo no pós-Covid. Sou enfermeiro e, na altura, percebi que estava a levar uma vida bastante sedentária e que tinha que começar a fazer algum desporto. Em finais de 2020, início de 2021, comecei a andar de bicicleta e comecei a gostar cada vez mais e dos treinos em si. Desde então tenho vindo a evoluir e este ano consegui arranjar um contrato com uma equipa profissional de ciclismo, a Óbidos Cycling Team.

P – Foi uma evolução bastante rápida do amador para o profissional…
R – Sim, sem dúvida. Eu já tenho 31 anos, até sou dos poucos casos que há em Portugal de alguém se conseguir profissionalizar com a minha idade. Normalmente, toda a gente começa nas camadas jovens e depois, aí sim, tem um contrato profissional, enquanto que no meu caso já foi bastante mais tarde, mas está a ser uma boa experiência.

P – Como está a correr esta primeira época como profissional? Quais são as suas expetativas para o que falta da temporada?
R – Para já, está a correr bem, estou a conseguir até superar algumas das expetativas. No início estava com algum receio se seria capaz de me dar bem no pelotão nacional, mesmo tendo já feito algumas corridas lá fora, no Dubai, Azerbaijão e na Bélgica. Agora, o objetivo é continuar a trabalhar e, quem sabe, poder ser convocado pela minha equipa para a Volta a Portugal. Isso seria, sem dúvida, o maior objetivo deste ano.

P – E acha que vai ser fácil conseguir essa participação na Volta? Do que depende?
R – Somos 14 atletas na equipa da Óbidos Cycling Team e vão ser convocados sete. Eu acho que tenho tido um bom desempenho, mas vamos ver. Para já ainda não tenho certeza, irei continuar a trabalhar e tentar evoluir para chegar bem a essa altura e ser convocado para a Volta, o que seria, sem dúvida, a “cereja no topo do bolo”. Sou um ciclista mais de montanha, mas, atualmente, a concorrência no pelotão nacional é muito forte. O ritmo destes profissionais é muito elevado em comparação com aquilo a que estava habituado, mas as minhas características são mais direcionadas para a montanha.

P – Como concilia a vida profissional e o ciclismo?
R – Sou enfermeiro e continuo a trabalhar, atualmente na Urgência do Hospital de Vila Nova de Famalicão, pelo que nem sempre é fácil conciliar com o ciclismo. Como trabalho por turnos, apesar de ter algumas desvantagens, como trabalhar de noite, não ter um turno certo acaba por me facilitar para conseguir trocar turnos e, às vezes, junto mais de um turno no mesmo dia e troco para os dias que necessito ter folgas para as competições. E depois, claro, os meus colegas têm-me facilitado bastante ao ajudarem-me a trocar de turnos, só assim é que tenho conseguido conciliar a profissão com a competição. Acaba por ser mais cansativo e este é o grande aspeto que faz a diferença entre mim e grande parte dos ciclistas do pelotão nacional, porque, além de treinar e competir, tenho a outra parte que é ser enfermeiro, que acaba por ser mais desgastante. Por exemplo, o Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela terminou no domingo e fui trabalhar na segunda à noite.

P – Qual é o seu sonho, o objetivo, que espera conseguir alcançar no ciclismo?
R – Seria mesmo conseguir fazer uma participação na Volta a Portugal, é o grande sonho. Até agora foi conseguir um contrato profissional e estar numa equipa profissional, nem que fosse apenas um ano. Essa parte já consegui, agora o próximo sonho a alcançar é mesmo participar na corrida mais icónica em Portugal.

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Dados de Perfil:

Bruno Maceiras

Ciclista da Óbidos Cycling Team

Idade: 31 anos

Naturalidade: Vila Franca das Naves (Trancoso)

Profissão: Enfermeiro e ciclista

Currículo (resumido): Estudou em Vila Franca até ao 9º ano; Concluiu o secundário na Escola Gonçalo Anes Bandarra, em Trancoso; Licenciou-se em Enfermagem na Escola Superior de Saúde da Guarda em 2017; Trabalhou quatro anos Hospital de Cascais, antes de ingressar no Hospital de Vila Nova de Famalicão, onde continua atualmente

Livro preferido: “A Criada”, de Frida McSiden, e livros de autoajuda e desenvolvimento pessoal.

Filme preferido: Não tem

Hobbies: Ciclismo e multimédia, vídeo e fotografia

 

 

Sobre o autor

ointerior

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