P – A Associação de Futebol da Guarda terá dois árbitros na primeira categoria do futebol e futsal nacional na próxima época. É um resultado dentro das expetativas?
R – Um dos principais destaques é a subida do Francisco Simão à primeira categoria nacional de futsal. Depois de Vítor Rodrigues, Marco Rodrigues e Rui Ventura, voltamos a ter um árbitro de futsal na principal categoria. Já temos um no futebol, Sérgio Guelho, e agora vamos ter também um no futsal. É o reflexo de todo o trabalho que o Conselho de Arbitragem tem feito e, obviamente, mérito pessoal das próprias equipas de arbitragem. Mas há outras subidas em categorias inferiores. Temos também o Hugo Geraldes que sobe de divisão de C3 de futsal para C2. Além disso, mantivemos todos os nossos árbitros no principal escalão de futebol nacional, com destaque para o 10º lugar de Sérgio Guelho, bem como os árbitros assistentes.
P – Estava à espera desta classificação de Sérgio Guelho, tendo em conta o desempenho deste árbitro da Guarda nos jogos que dirigiu nos dois principais escalões do futebol nacional?
R – Estávamos à espera que o Sérgio ficasse bem classificado. Acompanhámo-lo durante toda a época e, como é natural, sabíamos que iria ter uma excelente classificação. É o segundo ano que está no principal escalão e um 10º lugar é excelente, sobretudo para um árbitro do interior do país, com todas as dificuldades que daí advêm. Há aqui muito trabalho de Sérgio Guelho, muita dedicação e, portanto, não é propriamente um lugar surpreendente.
P – Qual é o balanço do desempenho das equipas de arbitragem da AF Guarda também no futebol regional e distrital?
R – É um balanço extremamente positivo, tendo em conta que temos pouco mais do que um ano de mandato. Quando entrámos, dissemos, eu e o presidente da Associação, que não vínhamos para deixar tudo igual e, efetivamente, esse trabalho está a ser concretizado. É um trabalho silencioso, mas muito intenso, que está refletido nestes resultados nacionais e também na qualidade da arbitragem nos campeonatos distritais. Conseguimos, por exemplo, que não houvesse um único jogo com falta de árbitros, como acontecia até há pouco tempo. Temos um grupo de árbitros muito talentoso. É verdade que ainda é muito jovem, que vai levar algum tempo a formar, mas estou certo que o futuro da arbitragem distrital está garantido e esta época demos boas indicações nesse sentido.
P – Como está o recrutamento junto dos jovens para os sensibilizar a motivar a seguirem esta carreira da arbitragem?
R – Não está fácil. No ano passado tivemos a “carrinha” da APAF no distrito. Este ano vamos repetir a iniciativa, de 21 a 25 de setembro, para efetuar esse recrutamento. Vamos a várias escolas do distrito, mas não é fácil. Em 2025 tivemos 140 inscrições, foi um recorde. Começaram o curso 30 candidatos e neste momento estão a atuar 23. Ainda não é uma carreira que os jovens procurem, todos querem ser jogadores de futebol, mas estamos convencidos que, com o nosso trabalho e muita divulgação, vamos conseguir ter mais um leque de novos árbitros. A arbitragem da Guarda precisa de mais árbitros porque ainda não temos um quadro sustentável. Esperamos construir esse quadro no futuro, que nunca será antes do fim do mandato. Vamos ter o Eduardo Pires e o Diogo Fonseca, já este fim de semana, no Torneio Internacional de Futsal que se vai realizar em Andorra, fruto dos resultados deles no “árbitro jovem”. Temos o futuro garantido ao preparar os próximos árbitros para a arbitragem da Guarda e para que os nossos quadros da arbitragem sejam autossustentáveis, o que é a nossa principal prioridade.
P – Como está a imagem da arbitragem da AF Guarda? Mudou bastante nos últimos tempos?
R – Acho que mudou bastante a nível nacional e distrital, fruto de um trabalho conjunto que está a ser feito entre a Federação Portuguesa de Futebol e os Conselhos de Arbitragem. Quisemos e vamos continuar a querer humanizar a imagem do árbitro. Está a ser feita esta proximidade entre o árbitro e todos os outros agentes desportivos. Mudámos um bocadinho esse paradigma. Obviamente que a crítica existirá sempre, mas acredito que o árbitro já é visto como um complemento, um agente extremamente importante no futebol e creio que a Federação e os Conselhos de Arbitragem distritais estão a trabalhar muito bem para mudar essa imagem.
P – O intercâmbio de árbitros com a Associação de Futebol de Viseu foi benéfico?
R – É muito benéfico tanto para os árbitros, como para os clubes. Creio que foi uma experiência que correu extremamente bem, sobretudo porque não existem anticorpos que obviamente se vão criando entre os vários agentes. Vamos continuar com esse protocolo e já estamos a ultimar um acordo com a Associação de Futebol de Bragança. Entendemos que esta permuta de árbitros é muito importante para o futebol distrital e uma excelente oportunidade para os árbitros conhecerem outras realidades e para a sua própria evolução enquanto árbitro.
Entrevista a Fábio Cardoso, Presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol da Guarda



