P – Foi reconduzido para um terceiro mandato na direção da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, o que podemos esperar?
R – Naturalmente que me sinto honrado pela confiança dos conselheiros que elegeram esta direção para um terceiro mandato. Vamos fazer o nosso melhor. Continuar o trabalho de divulgação e promoção dos vinhos da Beira Interior em Portugal e fora de portas, e trabalhar ainda mais a questão do enoturismo, que está, neste momento, a desenvolver-se um pouco por todo o lado, entre os produtores de vinho, pois é também uma forma de gerar riqueza para os territórios. É essa a nossa grande vontade.
P – Justamente, como está a correr o Beira Interior Wine Village, o projeto de promoção do enoturismo da CVRBI?
R – Está a ser desenvolvido com as Comunidades Intermunicipais das Beiras e Serra da Estrela e da Beira Baixa e neste momento já temos um site com uma série de experiências (mais de 30) por todo o território, em que as pessoas podem visitar adegas, procurar alojamentos, restaurantes, sítios para visitar, etc. Temos quatro grandes eixos na divisão das experiências: gastronomia e vinhos; património e cultura; lazer e bem-estar. São experiências importantes porque se direcionam a vários públicos – casais mais jovens, famílias com crianças mais pequenas, temos experiências que abarcam todo o tipo de público, porque o nosso intuito é que as pessoas fiquem por cá, comam, durmam e comprem alguma coisa. Agora vamos ter uma fase de capacitação para os técnicos dos postos de turismo dos municípios, das Comunidades Intermunicipais e da própria CVRBI, e teremos mais tarde uma formação (uma na Guarda e outra em Castelo Branco) mais dirigida para as empresas, nomeadamente hotelaria, restauração, empresas de animação turística, etc. porque é importante que as pessoas saibam explicar o que é o projeto Beira Interior Wine Village.
P – É certo que o projeto fica finalizado no mandato que agora começa.
R – Seguramente que sim, se tudo correr bem. É um trabalho que interliga as duas Comunidades Intermunicipais e a existência de eleições autárquicas atrasou um bocadinho o desenvolvimento do projeto, mas as coisas vão tornar a acelerar. Creio que estamos no caminho certo e tentaremos fazer o melhor que sabemos e podemos para que seja possível gerar riqueza no nosso território. Mais à frente vamos fazer uma conferência de imprensa conjunta com as Comunidades Intermunicipais envolvidas para explicar melhor o funcionamento do projeto, mas não queremos construir a casa pelo telhado – primeiro temos de capacitar as pessoas e em cada posto de turismo irá haver informação sobre o Beira Interior Wine Villages – onde podem ir e que experiências ter. Agora estamos a fazer um trabalho menos visível, mas importante para que as coisas fluam com pretendemos.
P – Há seis anos que dirige a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, mas já pertence à casa há mais de 20. O que mudou desde então?
R – Desde 1999, quando entrei, mudou quase tudo. Nessa altura era uma instituição pequenina, tínhamos dez associados, cinco cooperativas e quatro ou cinco produtores particulares. Atualmente temos mais de 70 associados, não tem nada a ver. Foi um grande caminho que se fez. Obviamente que olhamos para trás e vemos altos e baixos, como em todos os projetos, mas creio que todos os que participaram nestes últimos 27 anos devem sentir-se orgulhosos. A Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior tem projeção e os vinhos da Beira Interior também têm mais projeção do que tinham outrora. Quando vim para cá, nem as pessoas da região conheciam os seus vinhos, quanto mais os de fora. Foi um caminho difícil, porque estamos rodeados de regiões com muito nome – Douro, Dão, Alentejo, etc., mas fomos fazendo o nosso caminho e, pouco a pouco, conseguimos ganhar visibilidade e notoriedade dos nossos vinhos, quer em Portugal, quer fora do país, e é isso que nos move.
P – Atualmente, como está a produção de vinhos e respetiva exportação na nossa região?
R – No que toca ao nosso país, os vinhos da nossa região estão um pouco por todos os lados. Fora de portas temos os Estados Unidos, Brasil, China, temos apostado em novos mercados como a Coreia, Taiwan e, sem esquecer, na Europa, a França, Alemanha, Polónia, Reino Unido e Suíça. Temos diversificado os nossos mercados por achar o mais correto. O que temos visto, por exemplo, por causa da administração dos Estados Unidos, cria-nos alguma instabilidade pelo que temos tentado, nos últimos anos, diversificar o nosso mercado para que tenhamos outro tipo de segurança. Assim, estamos a exportar para novos países para reforçar a nossa posição e temos feito um esforço grande para marcar presença na maior parte das grandes feiras internacionais. Este mês estivemos na Alemanha, em outubro vamos ao Brasil e em novembro iremos a uma feira na Coreia do Sul. E vamos fazer missões inversas, ou seja, trazer importadores de vários mercados ao nosso território, e aí teremos oportunidade – e criamos condições – para que os nossos produtores consigam exportar os seus vinhos, uma vez que têm qualidade e preços competitivos.
CARA A CARA, entrevista a Rodolfo Queirós, presidente reeleito da direção da CVRBI


