Política

PSD escolhe presidente pela segunda vez em dois anos

Escrito por Luís Martins

Os social-democratas vão a votos este sábado, dia 11 de janeiro, para eleger o presidente do partido. É a segunda vez em dois anos, com Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz a colocarem em causa a liderança do recandidato Rui Rio. Há 1.501 militantes no distrito da Guarda em condições de votar. É pouco mais de metade dos ativos (2.911) nas catorze concelhias.

Rui Rio é a «melhor alternativa» ao PS de António Costa

Júlio Sarmento, mandatário do atual líder do PSD, defende a continuidade de Rui Rio por razões de «oportunidade, ética, valores e de orientação política». O presidente da mesa da Assembleia Distrital recorda que o líder social-democrata conta apenas um mandato, tem agora um grupo parlamentar «coeso, fator determinante para a liderança da oposição». Destaca também a sua «seriedade, rigor e honestidade intelectual», bem como a defesa de uma «clarificação ideológica social-democrata de valorização da pessoa humana como centro da atividade política». Júlio Sarmento acrescenta ainda que, tal como Sá Carneiro, Rui Rio defende «a prevalência do interesse nacional sobre o interesse do partido», que deve ser um referencial de «estabilidade, coerência e seriedade» na sociedade. Atributos que levam o ex-líder da distrital a apontar para uma «maioria absoluta» do candidato no distrito da Guarda e apelar à união terminada a eleição. Contudo, reconhece que existem «perspetivas ideológicas diferenciadas e também interesses corporativos e pessoais, igualmente legítimos, que interferem na lógica de poder no PSD», considera.

Outro apoiante de Rio é Carlos Chaves Monteiro. O presidente da Câmara da Guarda, que, por uma questão de «respeito por todas as candidaturas», esteve presente nas sessões promovidas na cidade por Pinto Leite e Luís Montenegro. «Pode ter havido alguma dúvida, até porque não divulguei publicamente a minha posição, mas sempre fui apoiante de Rui Rio, do qual fui mandatário concelhio nas legislativas», começa por esclarecer o autarca. Chaves Monteiro diz identificar-se com «a prática política» do líder, cujas ideias estabelecem «uma perspetiva de futuro para o país com estabilidade e credibilidade». Além disso, Rui Rio será «a melhor alternativa» ao PS e a António Costa. «Destaca-se porque tem trabalho feito no partido e precisa de estabilidade para demonstrar aos portugueses que o seu projeto e ideias para o país são válidas e mobilizadores», sublinha o edil guardense. Na sua opinião, Rui Rio tem «grande probabilidade» de ganhar «à primeira volta» na Guarda e no país e, por isso, apela aos derrotados de sábado que garantam «estabilidade» para que o líder eleito possa trabalhar com «serenidade».

Luís Montenegro está a «abanar» o partido

Do lado oposto está Rui Ventura, um indefetível de Luís Montenegro. «O PSD precisa desta vitalidade e abanão que o candidato está a dar. Luís Montenegro está também recentrar o partido na sua essência, que são as pessoas e as bases», afirma o autarca de Pinhel. «É o candidato mais agregador e com mais capacidade para arranjar consensos. Rui Rio não conseguiu fazer isso e não é agora que o vai fazer», acrescenta. Rui Ventura acredita numa «vitória clara» de Luís Montenegro «na Guarda e no distrito», bem como no país, porque «há muitos militantes descontentes com o rumo que a atual liderança tem dado ao partido». «No dia 11 vamos ver que a maioria dos sociais-democratas vai estar com Luís Montenegro», perspetiva.
O edil concorda com o método escolhido para o pagamento de quotas, o que reduziu drasticamente o universo de eleitores, mas considera que teria sido mais eficaz enviar uma carta para casa dos militantes. «Todos os militantes têm o direito de votar, pelo que esta notificação para pagar quotas não devia ter sido só enviada por SMS», lamenta. Mas deixa o aviso: «Espero que, a nível nacional, não se verifique o recurso aos “sindicatos de votos” por parte de quem pretende acabar com eles». Quanto a uma eventual candidatura à distrital, cujas eleições terão lugar em junho, Rui Ventura diz ser cedo para falar no assunto, mas sempre vai dizendo que a atual liderança de Carlos Peixoto tem um mandato para cumprir, «apesar de estar a prestar um mau resultado ao PSD».

Miguel Pinto Luz representa «a renovação» do PSD

Por Miguel Pinto Luz “corre” Fernando Madeira. O presidente do plenário de secção da Guarda considera que o candidato representa «a renovação do partido, e o PSD precisa de gente nova, bem preparada e dedicada à causa pública». Na sua opinião, o partido tem vindo «a perder dinamismo e capacidade de se mobilizar e de mobilizar a sociedade», sendo que Miguel Pinto Luz tem «essa força natural de mobilização». Além disso, tem «visão estratégica e é um reformista, coisa de que o atual PSD abdicou, de apresentar reformas que são urgentes para o país».

Por último, com o Miguel Pinto Luz na liderança, «o PSD voltará a confiar em si mesmo, nas estruturas, a ouvir os seus militantes e a responsabilizar todos nas suas decisões», acredita Fernando Madeira, que está convicto que no distrito e no país Miguel Pinto Luz será, «pelo menos, o segundo mais votado». E se isso acontecer estará «em condições» de discutir a liderança numa segunda volta, «seja qual for o outro candidato». Sobre o pagamento de quotas, o dirigente considera que alterar «as regras do jogo tão próximo de tão importante ato eleitoral foi propositado por parte de Rui Rio». Na sua opinião, deveria ter sido escolhida outra altura para aplicar o novo método. «Neste momento apenas criou dificuldades aos militantes que queriam pagar quotas. Isto é limitar a participação porque “eleitores fantasma” e “sindicatos de votos”, houve, há e continuará a haver disso não tenhamos dúvidas. É mais difícil, mas vão continuar», avisa Fernando Madeira.

 

1.501 militantes em condições de votar no distrito da Guarda

Há 1.501 militantes no distrito da Guarda em condições de votar nas eleições de sábado. É pouco mais de metade dos militantes ativos (2.911) nas catorze concelhias. A diferença resulta do novo método de pagamento de quotas introduzido, que consistiu no pedido de referências por SMS, no partido para combater os “eleitores fantasma” e os “sindicatos de votos”.

A concelhia da Guarda é a que tem o maior número de militantes com quotas pagas: 217 para 653 militantes ativos. Seguem-se Seia (191 para 339), Gouveia (189 para 242), Pinhel (175 para 325), Figueira de Castelo Rodrigo (116 para 155) e Aguiar da Beira (109 para 144). Com menos de cem militantes em condições de votar contam Vila Nova de Foz Côa (94 para 108), Fornos de Algodres (67 para 96), Trancoso (64 para 195), Celorico da Beira (62 para 175), Sabugal (55 para 107), Almeida (37 para 85) e Manteigas (19 para 51). Em termos globais, a secção de Vila Nova de Foz Côa registou a maior taxa de atualização de quotas, tendo pago 87 por cento dos militantes ativos. Já na Guarda apenas 33 por cento dos militantes o fizeram, a percentagem mais baixa do distrito.

 

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