O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) esteve em Gouveia, no sábado, para participar na 11ª Assembleia da Organização Regional da Guarda. Um dia depois do chumbo da proposta de nova lei laboral na Assembleia da República, Paulo Raimundo afirmou que a reunião foi a «primeira grande ação de festejo da queda do pacote laboral».
«Saiu-nos do pelo, mas valeu bem a pena. Nos últimos tempos não temos tido a vida fácil, aproveitemos agora para festejar porque foi uma grande vitória dos trabalhadores, da CGTP e do PCP, que não vacilaram», sublinhou o líder comunista na sua intervenção. Realizada no auditório da Escola Velha – Teatro de Gouveia, a reunião magna dos comunistas do distrito da Guarda foi palco do epitáfio da proposta do Governo. «Desde 24 de julho de 2025 [com a apresentação da proposta da nova lei laboral], foram 330 dias que abalaram os desejos daqueles que se achavam donos disto tudo, que isolaram o Governo e todas aquelas golpadas, manobras, cambalhotas, daqueles que tudo fizeram para, até ao último minuto, apoiar este pacote laboral», lembrou.
O desfecho, para Paulo Raimundo, comprova que «a força do trabalho é muito maior, se unida, do que a força do capital», tendo sido também derrotadas «as retrógradas confederações patronais – parece que há aí quem quer voltar à carga, volte, faça o que quiser, venha com toda a força que tiver. Depois disto, vamos ver quem tem a coragem de acompanhar a CIP ou outras CIP». Mas houve mais perdedores. Além de PSD, CDS e Iniciativa liberal, «também o partido das cambalhotas, o partido da farsa, o tal partido Chega, que parece que gostou de ser contra o próprio voto contra que esteve na própria Assembleia da República». Para o líder do PCP, o Chega «é um partido que é tão vertical, tão rígido, que nem uma gelatina fora do frigorífico».
«Como sempre dissemos, estávamos perante um partido que estava encalado, porque, se é verdade que viabilizar o pacote laboral ia de encontro àqueles a quem serve, por outro lado, continuava a alimentar toda esta sua demagogia, mentira e hipocrisia junto dos trabalhadores», sentenciou Paulo Raimundo, para quem o Chega «não aguentou a pressão» face «à gravidade do que estava em causa». O secretário-geral do PCP acrescentou que, na sexta-feira, abriu-se um novo ciclo na vida dos portugueses. «É hora dos trabalhadores exigirem e construírem a virtude e a mudança com a sua, já muito apertada, situação social e económica. São eles que têm a vida difícil e é por isso que devem agora lutar para acabar com a precariedade, avançar para a regulação, para haver tempo para viver, para acompanhar os filhos e para uma mais justa distribuição da riqueza», apelou.



