Cara a Cara

«O Guarda FC vai apostar numa equipa de muita qualidade para se manter no Campeonato de Portugal»

Escrito por ointerior

P – O Guarda FC é campeão distrital e vai regressar ao Campeonato de Portugal após uma época quase perfeita. Qual é o seu balanço?
R – Teremos que fazer dois tipos de balanço. O primeiro é desportivo e esse é positivo, naturalmente, mas também teremos que fazer o balanço do ponto de vista da organização e logística, que foi bastante difícil e dispendiosa. Foi uma tarefa um pouco complicada para a direção do Guarda FC e para os administradores da SAD porque, infelizmente, os apoios que temos tido são insuficientes para as despesas do dia-a-dia do clube. Em termos desportivos, conseguimos, a três jornadas do fim, o nosso objetivo, que era sermos campeões para regressar rapidamente ao Campeonato de Portugal. Houve um planeamento excelente, construímos um plantel com qualidade que nos permitiu alcançar esse objetivo, não com facilidade, como parece, olhando só para os números, porque tivemos adversários muito competitivos e jogos mais complicados.

P – Qual foi o momento da época em que achou que o campeonato já não escaparia?
R – Foi há meia dúzia de jornadas atrás, ou um pouco mais até, que começámos a ver que as possibilidades de ganhar o campeonato seriam cada vez maiores. Mas podemos dizer que na jornada anterior estávamos plenamente convencidos que o título não nos iria escapar, até pela diferença de pontos relativamente ao segundo classificado.

P – O Guarda FC tem condições para vencer também a Taça de Honra da Associação de Futebol da Guarda?
R – É outro objetivo, não podia ser de outra forma. Temos condições para lutar também pela taça e assim faremos para estarmos na final.

P – Disse que esta época também ficou marcada por alguns problemas, nomeadamente a falta de apoios. Como se parte para a preparação de uma época no Nacional, mais exigente e mais onerosa, tendo a falta de apoios?
R – Essa é uma dificuldade permanente. O clube vai fazer sete anos em 2026 e sempre sentimos dificuldades financeiras, ao contrário do que se possa pensar, que recebemos muitos subsídios e apoios. Desde o início que nos habituámos a trabalhar, a ser organizados e a determinar objetivos, também na questão financeira, para conseguir aquilo que é possível em termos de apoios. Mas é difícil, porque a Guarda esteve muitos anos sem futebol, nomeadamente a um nível um pouco mais elevado. Penso que houve uma desabituação, quer das pessoas, quer das empresas e instituições, no apoio ao futebol e a projetos como o nosso, com a ambição de alcançar outros patamares que há muitos anos na Guarda não se consegue. Mas acho que este caminho está a ser feito, os guardenses começam já a ter o hábito de ir ao estádio e acabam por ajudar. Quanto às empresas, temos que ter a capacidade de as envolver, de fazer acreditar os empresários que o nosso projeto é sério e muito sólido. Já o município tem a obrigação de apoiar o desporto e o nosso projeto, mas não queremos estar dependentes da Câmara da Guarda, até porque já nos dá um bom apoio em termos de instalações e de transportes. Se calhar, esse apoio das empresas só vai surgir depois de passarmos o Distrital.

P – No ano passado, foram despromovidos do Campeonato de Portugal nas últimas jornadas, “morreram na praia”, para usar a expressão popular. O que correu mal e ditou a descida ao Distrital, e que contam não repetir neste regresso?
R – De facto, ficámos a três pontos de conseguir a manutenção e, na reta final, não tivemos a sorte de os conquistar, pese embora toda a determinação que houve da equipa para alcançar esse objetivo. Mas houve vários fatores para esse desfecho. Em primeiro lugar, não entrámos bem no campeonato, perdemos muitos pontos que nos fizeram falta no final e depois foi correr atrás do prejuízo. Era um projeto novo, uma equipa completamente nova, muitos dos jogadores não se conheciam… Tivemos ainda várias situações em que fomos literalmente afastados da vitória. Por exemplo, num dos jogos com o Beira-Mar em casa, fomos claramente prejudicados com um penálti contra, que não existiu, enquanto deviam ter sido assinalados dois a nosso favor, que existiram. Perdemos três pontos que podiam ser fundamentais. Mas houve outros jogos assim. É um pouco por culpa do peso que já não temos nos campeonatos nacionais e que já tivemos com a saudosa Desportiva da Guarda, que militou durante muito tempo no Nacional da IIª Divisão. É preciso criar também essa influência, no bom sentido, naturalmente, para que a Associação de Futebol da Guarda e a própria Federação Portuguesa de Futebol criem condições para que possamos fazer um campeonato mais equilibrado. Já basta o desequilíbrio financeiro que existe relativamente aos orçamentos das outras equipas, nomeadamente do Norte, quanto mais, às vezes, ainda haver aquele “empurrão” porque a Associação A ou B poderá ter mais influência e, enfim, ajudar mais aqueles clubes. Esperamos que na próxima época seja possível consolidarmos o mais rápido possível a manutenção, que é esse o objetivo.

P – Como vai ser preparada a próxima época, com que plantel e equipa técnica?
R – Ainda é prematuro, mas num clube com os objetivos do Guarda FC a época seguinte começa a preparar-se no início da atual. Há sempre alguém que já está a pensar em termos de reorganização e logística, até porque se não tivermos boas condições, provavelmente também não conseguimos captar jogadores de um nível superior. E esse trabalho já está a ser feito. No plano desportivo, vamos aguardar, uma vez que ainda falta jogar a Taça de Honra e três jogos do campeonato, mas já se sabe que, no futebol, é natural que uns saiam e outros entrem. Uma coisa que posso garantir é que não vamos do zero, como no ano passado, porque hoje temos condições completamente diferentes. Também posso adiantar que vamos apostar numa equipa com muita qualidade, que nos possa dar alguma garantia de atingir a manutenção.

CARA A CARA entrevista a José Catalino, presidente da direção do Guarda FC

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