P – Quais vão ser as linhas mestras deste mandato na Federação de Bombeiros do Distrito da Guarda?R – O nosso objetivo é promover a união, o diálogo permanente e trabalhar com todas as associações e para todas as associações. Quanto a reivindicações, acredito que, em diálogo aberto com as diferentes entidades, é possível alcançar os nossos objetivos.
P – Qual é a sua primeira medida na presidência da Federação?R – Tenho reunido com as diferentes autarquias e instituições da região, nomeadamente com o Instituto Politécnico da Guarda porque temos uma linha de orientação naquilo que é o enriquecimento dos operacionais, quer dos comandos, quer dos próprios bombeiros, esse foi um desígnio também que colocamos no nosso projeto. Também já disponibilizámos um novo site na Internet que irá ser utilizado pelos bombeiros e pela Federação.
P – Qual é o retrato que pode fazer das principais dificuldades ou carências dos bombeiros da Guarda?
R – Das muitas associações que visitei fiquei com a perceção que andamos a falar sozinhos, que há falta de diálogo entre todos nós. É importante que todas as associações falem entre si, falem com a Federação, pois terão aqui uma voz e uma postura de permanente disponibilidade para ouvir. Essa é a base para que as Associações Humanitárias do distrito da Guarda ganhem ainda maior relevo, pois todas são importantes. É curioso verificar que Associações Humanitárias próximas umas das outras têm realidades completamente distintas. É o caso, por exemplo, de Seia, Loriga e São Romão. Temos desafios muito profundos que nos cabe abraçar de corpo e alma, é isso que faremos.
P – É necessário haver mais Equipas de Intervenção Permanente (EIP) em cada Associação Humanitária?
R – Isso depende da realidade de cada concelho e de cada Associação Humanitária. As EIP’s representam um encargo muito grande para os municípios, que já vão sendo o braço direito e esquerdo das nossas associações, disponibilizando verbas e ajudando na medida do que é possível. As EIP’s serão necessárias, mas garantidamente que também serão necessários mais postos de emergência médica do INEM com protocolos completamente diferenciados dos que temos atualmente, o que também fez com que as Associações Humanitárias tenham neste momento um encargo muito maior para manter esse serviço. Tem sido uma grande batalha entre a Liga dos Bombeiros, o Governo e o INEM, e vai ser mais uma batalha também da Federação.
P – Acha que os bombeiros já são mais valorizados, ou ainda há muito a fazer?
R – Não podemos ter realidades distintas no mesmo país. Por exemplo, os bombeiros da Calheta, na Madeira, têm uma realidade salarial completamente distinta dos demais e a desmotivação vai-se sentindo. Temos bombeiros com índices remuneratórios muito baixos, o que motiva a procura por outras entidades empregadoras, porque além de serem profissionais, são também bombeiros voluntários, com a obrigação de prestação de voluntariado anual nas Associações Humanitárias. Se associarmos isto ao horário de trabalho, é uma proporção de horas brutal. E nós temos que valorizar os nossos bombeiros. Mas é importante definir quem vai sustentar os aumentos salariais, porque das duas uma, ou a disponibilidade que vem do Governo é maior ou então as Associações Humanitárias vão colapsar.
P – Os bombeiros são cada vez mais solicitados ao longo do ano e não só no Verão, por causa dos incêndios. O novo paradigma será a profissionalização?
R – O futuro passa pela profissionalização e não exclusivamente pelo voluntariado. O voluntariado deverá e terá sempre que ser uma segunda salvaguarda. O paradigma mudou. Hoje temos incêndios de sexta geração que têm comportamentos completamente diferenciados do que tínhamos antes. A prevenção tem que passar a ser um pilar essencial da proteção civil para que consigamos ter incêndios mais facilmente combatidos. A agricultura é outra “ferramenta” para travar a propagação e a dimensão que os incêndios estão a tomar, porque implica gente no território.
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Perfil:
Cláudio Serra
Presidente da Federação de Bombeiros do Distrito da Guarda
Naturalidade: Manteigas
Idade: 46 anos
Profissão: Solicitador e formador
Currículo (resumido): Licenciatura de Solicitadoria no Instituto Politécnico do Cávado e Ave; Pós-graduação em Contratos, Registos e Notariado na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Felgueiras; mestre em Solicitadoria- Especialização Contratos, Registos e Notariado na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Felgueiras; Autor do livro “Estatuto da Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução”; Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Manteigas.


