P – O projeto da Unidade Local de Saúde da Guarda “Angels” foi distinguido com o nível platina e diamante. De que se trata?
R – O projeto está associado à Organização Europeia do Acidente Vascular Cerebral (AVC) para que os hospitais cumpram certos critérios na abordagem aos doentes com AVC. Ou seja, que tenham uma entrada no serviço de Urgência com sintomas neurológicos agudos e que dependem do tempo de tratamento e de atuação dos profissionais de saúde na abordagem a esses doentes. São analisados o tempo de atendimento, o tempo que demoramos a fazer a TAC, o tempo que demora o tratamento fibrinolítico e ainda, como no nosso caso na Guarda não temos neurorradiologia de intervenção, é ainda analisado o tempo que demoramos a encaminhar os doentes para Coimbra. É um projeto muito aliciante porque coloca todos os doentes com estado neurológico no mesmo nível de atuação – com a melhor resposta que podemos oferecer aos utentes ao nível da Europa.
P – Os resultados e prémios do projeto para a ULS da Garda trazem segurança aos utentes de AVC, familiares e restantes cidadãos?
R – Sim, exatamente. Trazem segurança porque sabem que estão a ser tratados da melhor forma possível consoante a patologia que têm – neste caso o AVC. Este projeto “Angels” tem uma auditoria feita através dos dados que introduzimos na plataforma – consoante os valores inseridos temos distinções. Depois de uma formação que tivemos com os enfermeiros da Urgência, o segundo trimestre foi aquele em que obtivemos uma reposta ótima no tratamento dos doentes e foi com satisfação e alegria que recebemos os prémios, fruto do trabalho, investigação, atuação e formação constante que temos no Hospital da Guarda.
P – Quem constitui a equipa de Unidade de AVC da Unidade Local de Saúde da Guarda?
R – É uma equipa multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistentes operacionais. Temos também fisioterapia – depois de uma grande batalha com o novo diretor clínico, conseguimos que os doentes tenham fisioterapia todos os dias. Temos também a terapeuta ocupacional e a terapeuta da fala, mas também a equipa de assistente social e de gestão da alta. Claro que também contamos com psiquiatras e psicólogas, pelo que é uma equipa bastante completa que nos permite um acompanhamento e desenvolvimento depois de todo o trabalho feito nas Urgências. No internamento, continuamos a manter o cuidado ao nível superior neste tipo de doentes.
P – Há novos projetos da Unidade de AVC em perspetiva?
R – Temos vários previstos, como implementar uma consulta de fisioterapia para os doentes com alta e os da primeira reabilitação também começarem a fazer consultas ou teleconsulta dos doentes, acompanhando-os depois da alta. Neste caso, um mês depois avaliaríamos como é que está a evolução e como se sentem. Além deste, já temos ouros projetos implementados, mesmo com a psiquiatra Sílvia, que também acompanha os doentes depois da alta.
P – Como olha para o percurso do projeto “Angels”?
R – Ainda falta muito para fazer, mas estou satisfeito com o que temos agora, que já é muito bom. Mas estamos a trilhar um caminho que, ainda assim, é bastante longo – e já se sabe que na medicina tudo muda de um dia para o outro, tudo evolui. Contamos manter o nível e continuar a dar aos doentes de todo o país, se vierem para a ULS da Guarda, os cuidados que teriam no Porto ou Lisboa, não havendo esse tipo de diferenciação no tratamento destes doentes.
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DADOS DE PERFIL:
Jorcélio Vicente
Coordenador da Unidade de AVC da ULS da Guarda
Idade: 45 anos
Naturalidade: Angola
Profissão: Médico
Currículo (resumido): Frequentou o ensino secundário e superior na cidade de Coimbra, onde cursou Medicina. Veio para a Guarda realizando alguns estágios também pelo Porto, Lisboa e Inglaterra, acabando por regressar à cidade mais alta.
Livro preferido: “The Power Of Geography”, de Tim Marshall
Filme preferido: “O bom, o Mau e o Vilão”, de Sergio Leone
Hobbies: ler, praticar desporto


