Cara a Cara

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Escrito por ointerior

P – Em que momento colocou em hipótese ser treinador de cães? Quando é que tudo começou?
R – Isto começou, mais a sério, há cerca de três anos. Tomei esta decisão para poder fazer o que realmente gosto. Tudo apareceu devido a um momento mais duro na minha vida, que foi a perda do meu pai. Foi aí que realmente percebi que há um limite. Devemos trabalhar com o que gostamos porque passamos grande parte do tempo a trabalhar.

P – Desde quando é que os cães entraram na sua vida?
R – Eu nunca tive cães porque a minha mãe não gostava, mas lembro-me, por exemplo, de, aos 7 ou 8 anos, ir para ao jardim onde havia imensos cães, tanto de amigos como da rua. Tive o meu primeiro cão aos 19 anos e, entretanto, fui parar ao canil, fiquei com uma das cadelas e acabei por me envolver mais com este meio dos animais, dos cães, mais especificamente. Ou seja, fiquei lá mais tempo do que o esperado, como voluntário, e percebi cada vez mais que tinha esta paixão pelos caninos.

P – Quando aprendeu a treinar cães?
R – Isso começou na fase do canil. Lá também me entretinha a ensinar truques aos cães e já nas minhas brincadeiras, quando era mais novo, também gostava de lhes mandar paus para que fossem buscar. Não sei explicar, mas sempre tive esse gosto pela comunicação entre os cães e as pessoas.

P – Quando percebeu que havia público para este serviço, como foi todo o processo?
R – Vim a perceber isso há pouco tempo. Quando entrei nisto eu não estava numa fase muito boa. Queria afastar-me de pessoas, por assim dizer, e decidi que queria dedicar-me mais aos animais. Depois percebi que esse objetivo implicava exatamente o contrário, porque isto também é acerca de pessoas. Entre cão e dono há relações. Inicialmente, quando comecei a ter mais contacto com os animais desta forma, eu sabia uma coisa: para alguém acreditar em mim, eu tinha de ter resultados e a partir daí fui ao canil buscar uma das minhas cadelas, a Maia, há já três anos, e decidi começar a treiná-la. Mais tarde, conheci um amigo dentro deste meio e comecei a trabalhar com outros cães (sem ser os meus, com os quais os treinos se começaram a tornar fáceis). Com o tempo percebi que os resultados não eram assim tão fáceis, que não se trata apenas de treinar o cão, mas também acerca do dono. A terceira fase da minha aprendizagem foi perceber que o bom treinador não é o que tem resultados, não é o que tem o próprio cão treinado, não é o que treina o cão dos outros, mas sim o aquele que consegue colocar os próprios donos a treinar o próprio animal de estimação. Eu estava a fugir das pessoas, mas no final percebi que o conhecimento desta área é exatamente nas relações entre as pessoas e os cães, e percebi isso há cerca de dois anos.

P – E quais são os pedidos com os quais os donos te abordam, que tipos de trabalhos costumas ter?
R – Vejo casos muito bizarros e a maioria das pessoas procura-me devido a uma coisa que é a humanização do animal, que acho que é dos maiores males que estamos a fazer aos cães. Também temos as partes boas, por exemplo, dos clientes que simplesmente não sabem como comunicar com o cão, mas são dedicados, e é o que dá mais gosto. Não gosto de prender as pessoas a mim. Não trabalho com “packs” de aulas porque o objetivo é a pessoa ser o mais livre possível e conseguir comunicar com o seu animal. E o meu objetivo é esse, ensinar a ler a comunicação corporal do cão e comunicar com ele de forma correta.

P – Que serviços disponibiliza? Há aulas com os cães e os donos, apenas os cães… que treinos desenvolve?
R – Depende muito do caso. A primeira coisa que se faz sempre é uma avaliação corporal para perceber exatamente o que se passa. Os problemas comportamentais do cão são o ponto de partida, e depois tudo depende muito. Eu disponibilizo serviço com estadia e treino – mais personalizado, em que o cão fica comigo em estadia e de forma periódica o dono visita o espaço e também participa nos treinos (habitualmente de semana a semana ou quinzenalmente). Depois vamos fazendo a transação para o animal e para o ambiente do dono, onde continua a ter treinos numa fase inicial. Tenho também a opção de treino normal, para resolver, por exemplo a reação com outros cães, e mostrar-lhes o comportamento adequado a ter, inibindo o comportamento errado e reforçando o comportamento certo. Eu diria que 80 por cento dos casos com os quais trabalho são problemas comportamentais e de socialização.

P – O Pedro está pela Guarda e Castelo Branco. Quais os benefícios relatados após treinar um cão, e como é que as pessoas podem entrar em contacto consigo?
R – Quando uma pessoa não está a saber lidar com o seu cão, ou quando o cão está a reagir por alguma coisa, temos de mostrar ao animal que aquele comportamento não é aceitável. Pelo que os benefícios de treinar um cão têm muito a ver com aprender a comunicar com o animal, aprender a ler o cão. Qualquer pessoa que tenha interesse pode contactar-me através do número 968578300 e através das redes sociais Facebook e Instagram através de @pedro_mtos23.

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DADOS DE PERFIL: 

Pedro Matos
Treinador de cães

Naturalidade: Guarda
Idade: 33 anos
Profissão: Treinador de Cães

 

 

Sobre o autor

ointerior

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