O visto gold de Paulo Portas, como não tem patente ainda, está a ser apresentado por Passos Coelho, e muito bem, como instrumento mobilizador a atrair investimento estrangeiro para os territórios do interior do país, defendendo que este novo tipo de visto gold deve ser «para investimentos produtivos no Interior» e assim «promover o Estatuto de residente não habitual».
Excelente, não posso estar mais contente, depois de tantos anos a tentarmos medidas de descriminação positiva, agora temos o “isco”. O que temos? O melhor… E o melhor de tudo, não duvidem!
Paisagens naturais de uma beleza poética; uma altitude onde o ar é o mais puro; uma gastronomia capaz de convidar os investidores mais exóticos; património histórico edificado; turismo histórico, rural, de saúde e lazer; serviços públicos: hospital distrital, tribunal, segurança social, escolas primárias, secundárias, profissionais e institutos superiores; jornais e rádios com intervenção nacional; gente boa, trabalhadora, suada e com valores; associações solidárias com os produtos endógenos incansáveis em auxiliar, promover e divulgar a região até onde a voz faça doer; poder local ativo e de proximidade com o poder nacional… Tudo isto é a nossa Região, a Guarda, mas que fica no Interior!
Estes futuros investidores com “estatuto de residente não habitual” podem vir a comprar habitação própria, pois temos imobiliária do mais alto nível, com apartamentos e moradias do mais requinte e luxo, à espera de quem compre! É excessivamente caro, nunca percebi porque é que um apartamento T3, T4 ou mesmo T2 tem “quase” o mesmo valor que em Lisboa… porque no Porto são mais baratos e em Braga, ainda mais… Mas a Guarda tem um histórico imobiliário onde os preços praticados são bastante acima da média, porquê? Talvez porque tudo fica mais caro na Guarda, às vezes questiono-me como conseguimos? Pois, mais ou menos 60% dos residentes no eixo urbano vivem em casa própria… Talvez pela proximidade rural, onde temos do azeite, à batata, aos legumes, à fruta… o que ajuda na poupança, tudo também aliado as características socioeconómicas que sempre serviram de modelo às gentes da Beira.
Mas divulgando o setor imobiliário, vendemos e dinamizamos a construção civil há tanto estagnada na nossa Guarda.
Estes futuros investidores com vistos gold e “estatuto de residente não habitual” podem efetuar ainda investimento produtivo em fábricas encerradas com instalações ímpares servindo ainda de oxigénio às pequenas e médias empresas da nossa região, que, apesar dos significativos esforços e investimentos realizados nos últimos anos, continua a apresentar índices de desenvolvimento claramente inferiores às médias regional e nacional. A Região é um território de baixa densidade populacional. O desafio mais urgente é atrair e fixar a população no interior através da criação de emprego e subir nos índices de qualificação e nos níveis de competitividade do território. O desemprego afeta os cidadãos, as famílias, a comunidade e as empresas.
Para tal, torna-se necessário que o Governo contrarie o sistema fiscal complexo e a carga fiscal elevada e desajustada da atual realidade económica transfronteiriça, nivelando o nosso sistema fiscal com Espanha; pois os investidores estrangeiros com os visto glod podem vir à Nossa Região através de voos para Espanha, via Salamanca, e por lá ficarem encantados! Para contrariar este efeito, é urgente efetuar um trabalho a montante e, para já, ao nível das acessibilidades que se eliminem as portagens na A23 e na A25 por não se considerar, de todo, que essa medida afete o equilíbrio das contas públicas mas, antes, introduza um princípio de equilíbrio regional em matéria de coesão territorial e social.
Mas existem medidas a ter em conta, a nossa posição antes geoestratégica, agora é apenas geográfica dado que as acessibilidades que temos, em excelente estado, são excessivamente caras para o utilizador.
Outra necessária medida que o governo pode tomar para apoiar o desenvolvimento do interior é começar pela reorganização da rede de ensino superior. Não é possível falar em desenvolvimento do interior quando há situações em que existe o mesmo curso superior na UBI e nos institutos politécnicos de Castelo Branco, da Guarda e Portalegre. É contra estas situações que devemos lutar, pois só assim damos um contributo sério ao desenvolvimento da nossa região.
Beneficiados seremos todos nós, cidadãos, empresas, associações, a Região e o país no seu todo.
Por: Cláudia Teixeira


