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Vestidas para matar!

A mulher, de olhos arregalados, mais incrédulos do que preocupados, olhava sem entender o carro, com a chaparia enrugada que se espatifou sozinho contra o marco dos correios a uns bons 20 metros do sítio onde ela o tinha deixado sossegado enquanto tomava o café matinal. Quem passar pela rotunda ainda pode ver o marco, agora empilhado ocupando o passeio sobre quatro pedras instáveis. Soluções!

Pensou: “As Lameirinhas é um bairro de estudantes, será que… mas a esta hora da manhã”?

“Ná… estudantes às oito da manhã não empurraram carros!… ou se calhar ainda não se teriam deitado e…”

Não! Definitivamente não. Alguém teria visto! “Algum labrego lhe deu uma “pantufada” por trás e se pôs a milhas sem dizer nada!”

Pensou mil e uma formas que explicassem ou pelo menos justificassem aquilo. Nenhuma das mil e uma hipóteses lhe endireitava a chapa do Corsa.

O que fazer? Ali, sem poder de “automobilidade” motorizada sentia-se sem sapatos revoltada com o mundo a dez minutos do início das aulas e a anos-luz de chegar a tempo à escola!

Uma verdadeira mulher, daquelas equipadas com todos os genes femininos, pensadas à escala e ao pormenor por Deus, tem sempre solução para tudo.

Sempre!

Esta também tinha vindo equipada com o kit Divino completo. Utilizou dois equipamentos apenas para resolver o problema.

O telemóvel e o… marido!

– Olha o carro espetou-se contra um marco e está desfeito.

O marido, no trabalho, entre mil e uma tarefas, com o telemóvel preso entre a orelha e o ombro, numa curva antinatural da cervical, as mãos ocupadas com o trabalho, respondeu:

– O Marco?

Ela ficou segundos a processar. Como podem os homens ser tão burros!

– O carro, António! O carro! O meu carro!

– E o marco?

– Sei lá do marco!, o marco está debaixo do carro que é onde tu devias estar a tentar resolver o problema se tivesses alguma estima por mim, aqui aflita!

– Mas eu estou… Olha, apanha um táxi, eu vou arranjar forma de ir aí resolver o problema.

Meteu o telemóvel no saco, virou as costas ao carro, agora enervada com o mundo, com o carro e com o marido. Mas satisfeita consigo própria. Tinha resolvido o problema em dois minutos!

Esta capacidade invejável de gestão da vida tem trazido as mulheres à ribalta na área da Administração da Gestão, da Auditoria e da Direção. Esta capacidade de resolver problemas tornou-as afoitas, seguras e auto confiantes, assumindo hoje os desígnios do mundo. É vê-las presidir aos desígnios dos maiores países do mundo como a Dilma, ou dos mais poderosos como a Mónica.

Não foi o Barack que escolheu o cão, foi a esposa de Obama! Ele só foi comprar a coleira e a ração! Não é o Coelho que determina quanto se cortará nas pensões, é a Mónica. Ele só paga a assistência em viagem dos auditores da “troika”. Não foi Napoleão que conquistou um Império, ele só obedeceu à Josefina quando lhe perguntou o que queres para os anos? Ela respondeu deixando cair uma alça da camisa de noite… “O mundo, meu amor!” E ele saiu de casa e lá foi buscar-lhe o mundo, O António foi buscar o carro, o Barack a coleira e o Coelho a passadeira vermelha!

A questão essencial agora reside em saber quando tomaram elas consciência do poder? A resposta é simples….

Desde Eva!

Não assumiram o comando propositadamente. Por razões estratégicas, numa combinação secreta com o Criador combinaram que o homem teria um apêndice não para ser arrastado mas para ser convencido! E assim nos convencem que somos nós que comandamos…

São assim em tudo, sabem tudo antes de nós, desde o dia anterior sabem o que vai ser o jantar do dia seguinte mas não dizem, dizem sempre… nem sei o que fazer para o jantar! Sempre assim foram, mantêm-nos na ignorância e gerem-nos pela surpresa.

Os meus caros leitores imaginam que Adão ao ver Eva dar à luz Abel associou o nascimento à causa??? Tudo se passou nove meses antes! Como é que aquele desgraçado pode associar uma coisa assim? Mas ela sabia… desde o tal momento em que tiraram a parra da frente, ela sentiu alterações, ela soube que algo ia acontecer. E ele? Como perceber a relação entre um facto e outro que ocorre nove meses depois? No máximo, ele olhava a barriga enorme dela e pensava… se calhar magoei-a naquele dia das parras e agora inchou! Ou seja, culpou-se por isso e arrumou-lhe a caverna pela primeira vez depois de lhe ter dado a pata do coelho enquanto ele comeu a cabeça!

Tem sido assim esta cumplicidade entre a Divindade criadora e as mulheres. Cada um de nós que tem uma mulher bem equipada em casa sabe do que falo.

Este texto é dedicado ao conhecimento da roda dentada que faz funcionar o mundo, é a antítese da tese de que enquanto há homens não se confessam mulheres.

É assim de facto!

Mesmo o meu avô, um homem inteligente e, como tal, cheio de dúvidas dizia há bastantes anos atrás: «As mulheres vão dominar o mundo! Só não o fizeram ainda porque estão indecisas na roupa que devem vestir para a ocasião».

E o meu avô duvidava de tudo sistematicamente, tudo menos disto, o que torna a afirmação dele uma verdade absoluta e incontornável. Disso não tenham dúvidas!

O meu avô tinha razão.

Por: Júlio Salvador

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