Além de “Hospital Amigo do Bebé”, a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda tem agora, e a pensar nos recém-nascidos, o sistema de videovigilância “Baby Care”. Esta é uma das novidades do sétimo aniversário da ULS, apresentada na semana passada durante as comemorações.
O sistema “Baby Care” foi instalado a pensar nos bebés prematuros que nascem no Hospital Sousa Martins e que são obrigados a viver os primeiros dias de vida numa incubadora, onde chegam a estar 39 dias. Durante este período o contacto dos pais com o bebé é restrito e para minimizar isso surgiu este sistema de videovigilância, que está instalado ao lado da incubadora e permite um contacto visual remoto. Os pais, através de uma página na internet, um nome de utilizador e uma password, fornecidos pelo serviço de Pediatria do hospital, têm acesso à imagem transmitida onde quiserem e o tempo que quiserem. «Este sistema permite estar sempre ligado, 24 horas por dia», adiantou o responsável informático da ULS, Ricardo Santos.
No Sousa Martins estão instalados quatro monitores, cada um com uma pequena câmara de vídeo ligada a um servidor, mas a iniciativa foi feita a pensar em todo o distrito «diminuindo as distâncias através da imagem», pelo que esta tecnologia, instalada pela PT, pretende ser uma ajuda, salienta Ricardo Santos. Para além de vídeo, o “Baby Care” permite registar alguns momentos em fotografias. No período em que o bebé prematuro está na incubadora «é necessário que o recém-nascido corra o mínimo de riscos possíveis», o que obriga a que este seja também um período de «desumanização», uma vez que há um acesso limitado ao local onde o bebé está, explica o diretor da Pediatria, António Mendes. O bebé prematuro está naturalmente mais frágil e suscetível de contrair doenças, é, por isso, também normal uma maior inquietação dos pais.
Com este contacto 24 horas por dia, os progenitores poderão ficar «mais descansados» e cria-se ao mesmo tempo maior proximidade com o bebé, sendo «uma solução complementar à visita à maternidade», acrescenta a psicóloga Tânia Prata. «Esta vinculação que se cria é importante e ajuda no desenvolvimento do bebé», afirma. Este investimento traz ainda um acréscimo, pois além da imagem que chega aos pais, passa a haver um monitor de vigilância central, que vê as quatro camas dando «em tempo real tudo o que está acontecer», explicou o responsável informático da ULS. O sistema já existe em oito unidades hospitalares do país, com um total de 76 câmaras de vídeo, com benefício direto para um universo de mais de 700 famílias. O “Baby Care” ainda agora passou a fase experimental, mas Ricardo Santos não tem dúvidas que a sua «expansão é desejável», faltando ainda torna-lo compatível com outros sistemas operativos que não sejam Windows e, quem sabe, «evoluir para a fase “Charlie Care”».
Por sua vez, Flora Moura, vogal do Conselho de Administração da ULS, deixou o repto «que o mote do sétimo aniversário seja a ULS da Guarda sempre na vanguarda».
Amaro aguarda por estatuto de hospital de ensino universitário
Na véspera, durante a sessão solene da efeméride, o presidente da Câmara da Guarda lamentou que o Sousa Martins não tenha ainda o estatuto de hospital de ensino universitário, no âmbito da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, e apelou a um entendimento entre as três unidades hospitalares da Beira Interior para a criação de um grupo hospitalar entre os hospitais da Guarda, Covilhã e Castelo Branco.
«Sentem-se lá. Não há problema nenhum em percebermos que, se a valência A for melhor a um quarto de hora daqui ou a valência B melhor a três quartos de hora daqui, sempre será melhor do que amanhã estarmos porventura a perder muito mais», disse o presidente da Câmara da Guarda, que partilhou com a assistência um recado do ministro da Saúde Paulo Macedo que terá dito que «não será sempre possível ter três hospitais a dar prejuízo numa mesma região». Na cerimónia, o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro lembrou que «passaram mais de três anos» desde a primeira reunião» para a constituição de um polo de saúde ou grupo hospitalar na Beira Interior e «nada aconteceu». José Tereso distribuiu responsabilidades pelos Conselhos de Administração, mas também pelos profissionais de saúde, constatando que, «muitas vezes, é no próprio serviço que as pessoas não querem colaborar».
Ana Eugénia Inácio



