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«Tudo se decide longe do interior»

Joaquim Valente destacou as diferenças entre litoral e interior, num debate com o autarca de Sintra onde a empregabilidade mereceu destaque

«Para sermos iguais aos outros, infelizmente temos que trabalhar mais». Esta foi a ideia deixada por Joaquim Valente na passada sexta-feira durante um debate com o presidente da Câmara de Sintra promovido por alunos da Escola Secundária da Sé.

«Tudo se decide longe do interior e pagamos uma factura doméstica mais elevada que a das grandes metrópoles, onde há outra economia de escala», defendeu o presidente da Câmara da Guarda. «Portanto, estamos sempre afastados dos níveis de todos aqueles que vivem nas grande metrópoles», acrescentou. O edil falava na sala da Assembleia Municipal da Guarda numa iniciativa levada a cabo no âmbito do projecto “Nós pela Guarda – Porquê trabalhar na Guarda?”, da disciplina de Área de Projecto, por Daniel Pinto, Viktor Malyarchuk, Daniel Palos, Ana Filipa Gonçalves e Diogo Tomé, do 12ºD. Os

alunos decidiram investigar alguns dados sobre a Guarda que contrabalançaram com um caso paradigmático do litoral – Sintra – e tentaram encontrar alguns paralelismos e principais diferenças entre as duas localidades e respectivos concelhos. Para isso, convidaram Joaquim Valente e Fernando Seara, edil daquele que é o concelho com mais habitantes do país.

Durante cerca de hora e meia, os convidados responderam a algumas questões colocadas pelos alunos sobre vantagens e desvantagens de se viver na Guarda e em Sintra, nomeadamente, no respeitante à empregabilidade. Apesar de admitir que a cidade mais alta «é a capital de um distrito despovoado», as vias de acesso «privilegiadas» foram trunfos lançados para a mesa por Joaquim Valente. «Esta vertente não é só importante para a Guarda, como para o país», considerou, acrescentando que «os novos desafios passam pelo turismo, que nas suas vertentes desenvolve já um sector que é muito importante para a nossa economia no concelho». Por sua vez, Fernando Seara começou por transmitir uma mensagem de «esperança» à plateia repleta de jovens, destacando depois a «heterogeneidade e a grandeza populacional» do seu município e, desde logo, as principais diferenças em relação à Guarda.

Contribuir para construir «uma Guarda melhor»

Falando de pé, o social-democrata considerou o turismo como «grande mais-valia» do seu concelho: «Na vila de Sintra tenho turismo e, por isso, tenho sustentabilidade», disse. Relativamente ao desemprego, não teve dúvidas em afirmar que «o grande problema das grandes áreas metropolitanas é a incapacidade de absorção de um conjunto de atractividade humana que suscitámos». Mas, para combater esta ideia, destacou a capacidade de «inovação e criatividade» que os jovens de hoje têm que ter para enfrentar esse problema. Sobre esta temática, Joaquim Valente considerou que a fase é de «viragem». «A aposta é nas pequenas e médias empresas», defendeu. Pegando na ideia de Fernando Seara, encorajou os jovens guardenses, dizendo que «a criatividade não é um exclusivo das grandes metrópoles, mas de cada um de nós», e aproveitou para destacar a «melhor qualidade de vida» como uma vantagem do interior face ao litoral.

«A nova geração irá procurar cidades competitivas, pequenas e médias, que ofereçam tudo o que gostamos de ter enquanto cidadãos», declarou, deixando um apelo à plateia: «Vão estudar fora, mas dêem um contributo para o desenvolvimento da Guarda e do concelho», desafiou o autarca anfitrião. No final do debate, os alunos davam por bem empregue o tempo despendido na organização deste frente-a-frente. Para Daniel Pinto, «na Guarda há mais falta de mão-de-obra qualificada, que não será o caso de Sintra, bem como de todo o litoral, que oferece mais oportunidades aos jovens licenciados». Quanto à presença de Fernando Seara, o jovem explica que não foi muito difícil trazê-lo à Guarda: «Temos uma professora que é prima dele», confessa. A aposta parece ter valido a pena, pois «mostrou-se muito comunicativo e respondeu a tudo o que queríamos, até pode ter contribuído para construirmos no futuro uma Guarda melhor».

Rafael Mangana A iniciativa foi promovida por seis alunos da Secundária da Sé

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