«Em política e em desporto vale tudo». É desta forma cáustica que Vítor Rodrigues reagiu à decisão do Tribunal da Guarda, que, no final da semana passada, absolveu o director-geral de futsal do Sport Lisboa e Benfica dos crimes de injúrias e difamação pública, para além de um pedido de indemnização de 1.750 euros. Os factos remontam a Junho de 2003 na sequência da final da Taça de Portugal em futsal, disputada no Fundão, entre as equipas do Benfica e Freixieiro, quando Luís Moreira terá alegadamente proferido declarações injuriosas para com o árbitro guardense, conotando-o ainda com o clube nortenho.
«Atendendo às circunstâncias em que as declarações foram proferidas», no calor da emoção de um jogo de futsal, a juíza considerou que as afirmações do director-geral do Benfica não foram ofensivas para o árbitro enquanto cidadão. No entanto, a magistrada não deixou de reconhecer que o comportamento do dirigente «não foi o mais correcto», só que não existe enquadramento legal para o punir. Recorde-se que, entre outras expressões, Luís Moreira levantou suspeitas em vários jornais nacionais de alegadas «mariscadas em Matosinhos» com o árbitro e dirigentes do clube portuense, tendo afirmado ainda que Vítor Rodrigues foi o «sexto jogador» do Freixieiro na conquista do título de campeão nacional na época 2001/02. No entanto, apesar de ter sido absolvido, o dirigente entendeu pedir desculpas, à saída da sala de audiências, ao único árbitro de futsal da Guarda em escalões nacionais «pelas frases e pelos incómodos» causados. «Acho que devia pedir desculpas, pelo menos à pessoa. Independentemente de ter feito uma má arbitragem ou das coisas não lhe terem saído bem, não há nada que justifique pôr em causa a honra do árbitro e eu nunca quis fazer isso. E que fique bem vincado, enquanto pessoa, na sua vida privada», garantiu, salientando que só criticou Vítor Rodrigues «unicamente como árbitro».
Uma atitude que agradou ao árbitro da Guarda: «Pouco me importa a decisão do tribunal. Interessou-me principalmente o pedido de desculpas na presença dos jornalistas de quem me ofendeu, o que eu considero desculpas públicas. Isso para mim é que é o mais importante», frisou. Para Vítor Rodrigues, ficou assim sublinhada «a postura e a atitude do dirigente do Benfica, que reconheceu ter havido, de alguma maneira, uma linguagem menos correcta». Contudo, não deixou de mostrar o seu descontentamento pela sentença, tendo mesmo considerado que «em política e desporto vale tudo», uma vez que as pessoas podem ser «ofendidas, difamadas e enxovalhadas por tudo o que é dirigente desportivo e o resultado é o que vimos», criticou. De resto, o árbitro classificou de «completamente descabida» a relação que a juíza fez entre política e desporto, pelo que considera a decisão do Tribunal da Guarda «injusta e incorrecta», não descartando a eventualidade de apresentar recurso.


